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Negócios Opinião João Quadros

Comunicado do Banco de Portugal: “No seguimento do convite do Fundo de Resolução, publicado a 4 de dezembro de 2014, 17 entidades manifestaram interesse no procedimento de alienação do Novo Banco dentro do prazo fixado (até às 17h00 de 31 de dezembro de 2014)”.
Eram 17 interessados e, no fim, não houve casamento. O melhor é o Novo Banco ir para um convento. Parece-me a ideia mais sensata, não vale a pena insistir e vai-lhe saber bem o silêncio depois das manifestações dos lesados do BES. Em princípio. Porque a verdade é que o Novo Banco esteve, recentemente, quase um ano numas termas, a limpar todo o bicho que tinha e, no final, saiu de lá com mais 200 milhões de prejuízo em seis meses.
Não sei se o Novo Banco não está a ganhar características de casa assombrada. Alguém disse aos chineses que ainda se ouve o espírito santo, à noite (quando o tempo está mais húmido e escorregadio), a rondar os balcões dos depósitos, e eles fugiram. Também podem ter fugido porque fizeram contas, pois é sabido que os chineses são muito supersticiosos com dinheiro. Os chineses da Fosun não tinham coragem de voltar à China e ser gozados pelos da Three Gorges.

TG – Então, também foste às compras em Portugal?

FS – Sim, comprei o Novo Banco por 3,5 mil milhões de euros.

TG – AHAHHAHAHA, devias ter ido aos saldos, eu saquei a EDP por 2,7 mil milhões.

FS – … mas tens de dar de comer ao Catroga.

TG – Diz que hoje vai chover

– Nota: se eu trocasse os R por L, na fala dos chineses, isto ficaria giríssimo.

Na verdade, parece-me que o maior problema foi o vendedor. Carlos Costa começou por aldrabar os chineses da Angbang – e os jornalistas deste jornal e de outros – fazendo crer que os americanos estavam em segundo e não os outros chineses da Fosun, o que deve ter dado uma enorme credibilidade ao negócio que, já de si, era manhoso. Com um vendedor como este, não admira que os clientes se tenham pirado: Carlos Costa é o indivíduo que vende louro prensado no Chiado.

Fazendo um ponto de situação, na ponta final da gestão deste Governo, perdemos a TAP, mas ficámos com mais um banco. Eu preferia variar, estou um bocado farto de ter bancos. A vantagem de ter bancos é que, como todos sabemos, é muito raro terem custos para o contribuinte e, ao contrário dos aviões, nunca caem.

Estava a ficar um bocado nervoso – já com ideias paranóicas, que nós ainda íamos pagar isto, etc. –, mas fiquei mais calmo quando vi a ministra das Finanças. Maria Luís veio à televisão dizer que não há custos para o contribuinte mas importa salvaguardar o sistema financeiro. Por acaso, ficava mais descansado se tivesse dito ao contrário.

Para afastar de vez os meus fantasmas sobre o futuro, ligo a televisão e vejo, na TVI, o João Rendeiro, que nos vem tranquilizar quanto à gestão do Novo Banco. Pareceres bancários de Rendeiro são a excelência de informação. Falta o Bibi para vir dizer para que lado as crianças devem dormir e o Palito para vir falar sobre felicidade no casamento. Estou convencido de que se Salazar não tivesse morrido, tinha um programa sobre a União Europeia.

Conclusão, bem sei que o BES (ainda) não é o BPN, mas será que o Mira Amaral não quer mais um banco por 40M?

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