Lone Star? “Seria um accionista forte para o Novo Banco”

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Público

Carlos Costa traça um retrato mais optimista do xadrez da banca que supervisiona, depois de solucionados os casos da Caixa, BPI e BCP. E fala de “mochilas” para enquadrar o “bad bank”.

Duas questões sobre o Novo Banco: espera ter uma conclusão da venda agora? O Governo alguma vez lhe pediu para estudar a nacionalização?
O mandato do BdP é muito claro, é estudar a operação de venda do banco de transição. Cabendo sempre ao agente político saber se a proposta e a recomendação que fazemos é aceitável ou não. E mais não comento.

Se soubesse como estamos hoje, teria vendido o banco na primeira tentativa (em 2014)?
Nessa fase de venda não havia condições, porque não havia um comprador firme. É preciso perceber que a primeira fase de venda coincidiu com a crise da bolsa de Xangai e que os compradores potenciais, à última hora, afastaram-se. Porque não tinham condições para, eu diria, concretizar a operação. Aliás, eu diria, com alguma surpresa, coincidiu com um facto quase idêntico nesta fase com um dos interessados.

Acha que é desta?
Estou confiante que sim, o primeiro-ministro também disse que sim. Seria muito bom para a estabilidade do sistema financeiro que a operação se concretizasse. Por três razões: não é possível manter um banco de transição indefinidamente – há prazos; porque é um banco crítico para o financiamento de pequenas e médias empresas; e porque seria uma pedra muito importante para a estabilização do sistema financeiro.

Aí é muito importante perceber três ou quatro pontos. A estabilização do sistema financeiro depende da robustez de cada uma das suas instituições. Nós temos hoje a Caixa em vias de ser recapitalizada, o que é um facto muito positivo, temos o Millennium recapitalizado e com capacidade para limpar o seu balanço, o que é muito positivo. Temos o BPI endossado a um accionista que tem capacidade para lhe dar todo o suporte, o que é muito positivo. Se tivermos a seguir o Novo Banco com um accionista forte, que além disso assegura diversidade do ponto de vista de origem dos capitais, que assume um plano de negócios consistente com o financiamento da economia e com a estabilidade financeira. E se depois, em cima disso, conseguirmos (como estamos a conseguir) que a Caixa Económica se revele uma entidade forte, estamos com um plano de estabilização do sistema financeiro em plena marcha.

Como é óbvio, qualquer plano de estabilidade financeiro está sempre dependente de surpresas vindas da economia, do ambiente internacional, das taxas de juro – e ninguém pense que a estabilidade é um dado estático – é um dado dinâmico e um equilíbrio permanente.

One Response to “Lone Star? “Seria um accionista forte para o Novo Banco””

  1. Miguel Reis diz:

    Como é que um fundo abutre pode ser uma acionista forte? Mudou o conceito de idoneidade?

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