Mosqueira do Amaral já sabe que é visto como culpado da queda do BES

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Depois de uma procura falhada, de contactos infrutíferos, e do envolvimento da rede consular, o tribunal já conseguiu citar Pedro Mosqueira do Amaral do parecer em que é apontado com culpado no BES.

O antigo administrador do Banco Espírito Santo, Pedro Mosqueira do Amaral, já foi informado de que é considerado, pela comissão liquidatária e pelo Ministério Público, um dos culpados pela falência da antiga instituição financeira. Isto depois de várias tentativas falhadas para o contactar, que tiveram até de envolver a rede consular alemã.

A justiça portuguesa considerou, no início de dezembro, Pedro Mosqueira do Amaral citado do parecer proposto pela comissão liquidatária do BES, que qualifica a insolvência daquele antigo banco como culposa. O gestor, que liderava um dos ramos do Grupo Espírito Santo embora não fosse da família, encontra-se na lista de 13 personalidades – juntamente com outros gestores do banco, incluindo Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires – consideradas como responsáveis.

A notificação não foi fácil e envolveu, até, a rede diplomática de Portugal e Alemanha, passando pelo envio de uma carta para que fosse citado daquele parecer, a que o Ministério Público aderiu e com o qual concordou.

Isto porque, como noticiou já o Negócios, o procurador Carlos J. Ribeiro, em nome do Ministério Público, pediu autorização ao tribunal para que houvesse a citação de Mosqueira do Amaral através do consulado geral de Portugal em Düsseldorf.

Em novembro, os serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros pediram à embaixada de Portugal em Berlim informação sobre o processo. E, entretanto, no mesmo mês, chegou a informação de que Mosqueira do Amaral tinha já uma advogada mandatada para o representar no processo. Daí que a citação tenha avançado.

A comissão liquidatária considera que os 13 administradores conduziram, com ações e omissões, para prejuízos em torno de 5,9 mil milhões de euros, que levaram à queda do BES. Mosqueira do Amaral pediu, e foi concedido pelo tribunal, mais 30 dias, além dos 30 dias iniciais, para se defender do parecer. A justificação para a solicitação prende-se com o facto de residir na Alemanha e isso dificultar “a articulação” com os advogados.

Ter morada na Alemanha foi um dos obstáculos que atrasou a citação no processo de qualificação de insolvência – Mosqueira do Amaral era o único dos 13 gestores que ainda faltava notificar. O Ministério Público não conseguia contactá-lo na morada do seu cartão do cidadão, nem noutras moradas a que estava associado em processos judiciais. Também não tinha atividade remunerada em Portugal desde 2015, sendo que abandonara um ano depois a gerência da empresa alemã do GES que dirigia. Mosqueira do Amaral foi administrador não executivo do BES em Lisboa.

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