Novo Banco absorve banco nas Caimão para cortar custos

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O banco vai incorporar o Bank Espírito Santo International, com sede nas Ilhas Caimão e que chegou a estar sob a alçada de Amílcar Morais Pires. Fusão deve estar concluída até final do ano.

Fusões atrás de fusões. O banco liderado por António Ramalho continua a avançar com o seu plano de redução de custos e simplificação da estrutura. Depois de incorporar o alemão BES Beteiligungs, o Novo Banco vai agora absorver o Bank Espírito Santo International Limited (BESIL), uma entidade criada pelo Banco Espírito Santo (BES) nas Ilhas Caimão e que chegou a estar sob a alçada de Amílcar Morais Pires.

As duas entidades querem avançar com esta fusão “mediante a transferência global do património do BESIL para o Novo Banco”, lê-se nos documentos publicados no portal da Justiça dando conta da operação entre o Novo Banco e o BESIL, que foi aprovada na reunião do conselho de administração do banco, a 30 de setembro, por unanimidade.

A instituição financeira explica ainda que esta “fusão das sociedades levará à simplificação organizacional e a corte nos custos, nomeadamente, através da redução do número de contas anuais a preparar e da eliminação de relações intragrupo”. E reforça: os “custos com auditoria e com a submissão de documentos junto do registo comercial e das autoridades serão reduzidos com a fusão”. Atualmente, o BESIL não tem trabalhadores ou imóveis. E há muito que tem vindo a reduzir a sua atividade. Agora vai ser absorvido pelo Novo Banco e desaparecer totalmente.

Segundo os anexos ao projeto de fusão por incorporação, o banco com sede nas Ilhas Caimão apresentava um ativo de cerca de 336 milhões e um passivo de 247 mil euros.

Fusão concluída até meados de dezembro
Além do objetivo de racionalização dos encargos, o Novo Banco adianta ainda que esta operação “será ainda realizada com o objetivo de cumprir com os compromissos assumidos pelo Estado português diante da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia em 2017”.

O objetivo é que esta incorporação fique concluída até ao final do ano. De acordo com a instituição financeira que resultou da falência do BES, no verão de 2014, “para efeitos contabilísticos, a transferência de bens e passivos da sociedade incorporada para a sociedade incorporante produzirá os seus efeitos no dia 16 de dezembro de 2019”.

A empresa, com sede nas Ilhas Caimão, foi uma das entidades sob a responsabilidade de Amílcar Morais Pires, então CFO (administrador financeiro) do BES e que se viu envolvido em vários dos processos contraordenacionais em torno do banco liderado por Ricardo Salgado. Isto além do BES Cayman e do BIC International Bank Limited (incorporado em 2016 para facilitar a venda do Novo Banco), mas também do BES Beteiligungs. Também esta última entidade, responsável sobretudo pela emissão de dívida do banco na Alemanha, foi entretanto alvo de uma fusão por incorporação, tal como o Negócios avançou.

Absorver bancos e encolher equipas
São tudo exemplos dos esforços do banco para libertar da sua estrutura ativos que deixaram de ser considerados estratégicos. Isto ao mesmo tempo que vai apostando na venda de carteiras de crédito malparado e imóveis. Tudo com um único objetivo: deixar para trás o legado que herdou do banco chefiado por Ricardo Salgado.

A redução de custos também tem passado pelo corte do número de trabalhadores em Portugal e lá fora. Esta terça-feira, o jornal espanhol El Confidencial avançou que o banco apresentou um plano que afetará 27% do quadro de funcionários em Espanha. Por cá, o número de colaboradores recuou 289 até junho, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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