Novo Banco diz que já não é possível transferir mais activos e passivos para o BES

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Económico

Carta enviada aos colaboradores do banco assegura ainda que os depósitos dos clientes não serão afectados pela decisão do Banco de Portugal.

O Novo Banco garantiu esta quarta-feira que os depósitos dos clientes ficaram de fora da extensão das medidas de resolução operada ontem pelo Banco de Portugal – que visou as obrigações seniores daquela instituição – e que, com essa medida, já não é possível haver mais transferência de activos ou passivos do Novo Banco para o BES.

Numa curta carta de três pontos enviada aos colaboradores, a que o Económico teve acesso, a administração do banco refere ainda que a operação de capitalização decidida ontem pelo Banco de Portugal – que permitirá um reforço de 1.985 milhões de euros no capital do Novo Banco – leva o rácio de capital da instituição a comparar “favoravelmente com o dos seus concorrentes”, o que dá “aos seus depositantes as mesmas garantias que os dos outros bancos com idêntico nível de solvência”.

“Importa reter (…) que a configuração do balanço do Novo Banco está estabilizada, não sendo mais possível a transmissão de ativos e passivos para o BES (o perímetro está fechado)”, refere a mesma missiva.

No comunicado enviado ontem ao final da noite à CMVM, o banco referia que o rácio de capital, com a capitalização, deveria ficar próximo dos 13%:

“Com referência às contas de 30 de Junho de 2015 e considerando já os efeitos do critério de ‘phased-in’ de 2016, o rácio de capital Common Equity Tier 1 ajustado pela presente deliberação do Banco de Portugal seria aproximadamente de 13%”.

A capitalização do banco aproxima-se dos dois mil milhões de euros, tal como o Económico tinha noticiado ontem: 1.400 milhões para cumprir os rácios exigidos pelo BCE e os restantes 600 milhões para cobrir prejuízos do banco.

Esta capitalização, com um impacto positivo para o capital do Novo Banco de cerca de 1.985 milhões de euros”, prevê que as obrigações séniores dos investidores institucionais sejam transferidas para o BES, o banco que ficou com os activos “tóxicos” do Grupo Espírito Santo.

Esta medida, contudo, afecta apenas os investidores institucionais. Os investidores particulares, de retalho, e os emigrantes ficam excluídos de participar na solução de capitalização. Ou seja, os depositantes não vão ser afectados por esta solução.

A solução de capitalização não impede, contudo, a venda do Novo Banco. O processo mantém-se e será relançado em Janeiro.

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