Novo Banco limpa 70% dos ativos do BES em dois anos

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Negócios

As vendas de operações e sucursais no estrangeiro ajudaram o banco liderado por António Ramalho a reduzir o montante de ativos herdados do BES, de 14,7 mil milhões, em 2017, para 4,5 mil milhões, no final do ano passado.

O Novo Banco herdou milhões e milhões em ativos tóxicos do Banco Espírito Santo (BES). E tem, ao longo dos últimos dois anos, vindo a fazer um esforço para se libertar deste peso. Os resultados estão à vista: o montante já se reduziu em 70%, à boleia das vendas de carteiras de crédito malparado. Já os imóveis detidos pelo banco liderado por António Ramalho reduziram-se em mais de metade neste período.

De acordo com informação obtida pelo Negócios, o volume de ativos que passaram do BES para o Novo Banco era, no final de 2019, de 4,5 mil milhões de euros. Isto quando, em 2017, este montante rondava os 14,7 mil milhões de euros. Uma redução de mais de 10 mil milhões de euros, o que permitiu ao banco cumprir as metas impostas pelas autoridades europeias.

Esta “limpeza” do balanço contou com a ajuda das vendas de bancos e sucursais no estrangeiro, como foi o caso do Banque Espírito Santo et de la Vénétie (BESV), do Banco Internacional de Cabo Verde, do Novo Banco Ásia e da sucursal da Venezuela, mas também do encerramento da sucursal de Londres e da Zona Franca da Madeira. Isto além das fusões por incorporação na Irlanda, na Alemanha (BES GmbH) e nas ilhas Caimão (BESIL), com o objetivo de reduzir custos e simplificar a estrutura, de acordo com os projetos de fusão publicados.

A redução significativa das operações descontinuadas também contribuiu para esta evolução. Conforme apurou o Negócios, estas operações representavam 5.131 milhões de euros em dezembro de 2017. No final do ano passado, o valor era inferior a 30 milhões, à boleia das vendas da GNB Vida, que ficou nas mãos da Apax Partners, e da GNB Seguros – os últimos 25% que o banco ainda detinha na seguradora foram vendidos ao Crédit Agricole no final do ano passado.

Além destas operações, o Novo Banco também avançou com as vendas das carteiras Nata I e Nata II. Este último, um dos maiores portefólios de malparado alguma vez transacionados em Portugal, foi comprado pela Davidson Kempner. Uma alienação que ajudou o banco a reduzir o rácio de crédito malparado para 15% em setembro do ano passado, quando, em 2017, se situava nos 28%.

Imobiliário reduz-se em mais de metade

O banco liderado por António Ramalho tem também apostado na redução do seu portefólio de imóveis. Ativos que ficaram no balanço por terem sido executados devido a incumprimento de dívidas e que foram alienados por terem deixado de ser estratégicos para o banco.

Conforme apurou o Negócios, o Novo Banco passou de um registo de 2,5 mil milhões de euros em ativos imobiliários há dois anos, para perto de mil milhões no ano que agora terminou. Isto significa uma redução de cerca de 60% para a instituição financeira. A ajudar a esta evolução estiveram as vendas das operações Viriato e Sertorius, em território nacional, mas também do projeto Albatroz em Espanha.

Muitas operações acabaram por ser vantajosas para o Novo Banco, como foi o caso dos terrenos da Matinha ou da Quinta Seabra Gomes. Fonte próxima refere mesmo que as cinco maiores vendas de imóveis geraram um encaixe para o banco superior a 250 milhões de euros. Ainda assim, a grande maioria das alienações gerou perdas significativas para o banco que nasceu da resolução do BES, no verão de 2014.

No caso do projeto Viriato, que incluiu sobretudo lotes isolados de terreno, baldios e lugares de garagem, o valor de balanço era de 631 milhões de euros, mas o banco não conseguiu encaixar mais de 316 milhões. Já a operação Sertorius, com ativos não residenciais e geralmente abandonados, rendeu 159 milhões de euros, abaixo dos 488 milhões que estavam registados no balanço. O mesmo aconteceu com a carteira em Espanha e que rendeu 33 milhões: menos de metade dos 77 milhões registados, apurou o Negócios.

Apesar da redução dos ativos herdados do BES, o Novo Banco terá de manter os esforços para continuar a “limpar” o balanço. E isto poderá ser feito através de mais vendas de carteira de crédito malparado e imóveis. António Ramalho, presidente do Novo Banco, poderá dar mais detalhes sobre o rumo da instituição financeira quando apresentar os resultados anuais na sexta-feira, dia 28 de fevereiro.

130 operações em 2019

O Novo Banco submeteu, ao longo do ano passado, mais de 130 propostas sobre ativos sob a alçada do mecanismo de capital contingente ao Fundo de Resolução, apurou o Negócios. Um conjunto que inclui todo o tipo de operações, seja venda de carteiras ou reestruturação de créditos. Deste total, cerca de 15% foram rejeitadas pelo Fundo de Resolução. Já as que foram aprovadas, cerca de um terço tiveram “luz verde” mas com condições. Foi isto que aconteceu no caso do portefólio Nata 2. Em causa estavam perto de três mil milhões de euros em ativos tóxicos e um dos maiores portefólios alguma vez transacionados em Portugal. Tal como o Negócios avançou, em novembro, a comissão de acompanhamento do Novo Banco deu o “ok” a esta venda, mas com a condição de serem retirados alguns créditos.

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