Novo Banco pode custar à banca quase 10 mil milhões, mas não há alternativas

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Observador

 

Presidente da Associação Portuguesa de Bancos diz que fatura da venda do Novo Banco é um fardo pesadíssimo. Pode chegar a dez mil milhões. Mas Faria de Oliveira admite que não há alternativas.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos avisa que a solução encontrada para viabilizar a venda do Novo Banco pode representar um “fardo pesadíssimo” para o sistema bancário. Em entrevista à Antena 1 e Jornal de Negócios, Faria de Oliveira diz que podemos estar a falar de uma exposição ao Fundo de Resolução por parte de outros bancos de quase dez mil milhões de euros. Isto é um peso importante e “representa uma percentagem elevadíssima do PIB” (Produto Interno Bruto), cerca de 5%.

Em causa está o reembolso dos financiamentos concedidos pelo Estado ao Fundo de Resolução para permitir a resolução do Banco Espírito Santo e recapitalização do Novo Banco, bem como do Banif, mas também a possibilidade deste fundo ter de assumir mais perdas na instituição que resultou do antigo BES, no quadro do contrato de venda.

O Governo prolongou o prazo de reembolso destes empréstimos, aliviando a carga de juros, conforme está reconhecido nas contas da Unidade Técnica de Apoio Orçamental, mas ainda assim, a conta que pode ir parar aos bancos a operar em Portugal é pesada, considera Faria de Oliveira.

Apesar deste alerta, o presidente da APB reconhece que não há grandes alternativas.

As negociações para vender o Novo Banco ao fundo Lone Star parecem bem encaminhadas e devem estar concluídas até ao final do ano, diz Faria de Oliveira. Ainda no final da semana passada, foi noticiado que as condições para a troca de dívida com obrigacionistas do Novo Banco seriam conhecidas nos próximos dias. Esta é uma operação fundamental para fechar a venda da instituição.

Neste momento, seria muito difícil perspetivar outro tipo de soluções. A nacionalização não parece possível, a liquidação é completamente indesejável. E encontrar um novo comprador exigiria um processo negocial com as autoridades europeias que não sei se estariam disponíveis”.

Faria de Oliveira reconhece ainda que o setor gostava de ter mais informação sobre o estado das negociações. Aliás, é uma das reclamações que o sistema [bancário] tem feito: sermos pouco postos ao corrente do que vai acontecendo”, afirma o porta-voz da banca em entrevista à Antena 1 e ao Negócios.

Nesta entrevista, o presidente da APB admitiu ainda que o processo de redução de trabalhadores na banca vai prosseguir. “Estamos a entrar numa nova era na banca “e os bancos portugueses estão a preparar-se para a nova forma de fazer banca, e que passa muito mais pelos canais digitais e o serviço online.

O BPI anunciou recentemente ter fechado acordo para reduzir, com rescisões voluntárias e pré-reformas, com mais de 600 colaboradores. A Caixa Geral de Depósitos tem em curso um plano de reestruturação que prevê o fecho de balcões e a redução de mais de 2000 trabalhadores.

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