O pecado capital de Salgado

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Correio da Manhã Armando Esteves Pereira Opinião

A lista dos devedores do Novo Banco, o banco bom que saiu da resolução do BES, revela um pecado capital da gestão de Ricardo Salgado: a concentração de crédito em grandes devedores e muito investimento especulativo.

Mesmo sem a queda do Grupo Espírito Santo, o BES teria problemas com a excessiva dependência de crédito a promotores imobiliários. Mas também há verdadeiros casos de polícia. Um deles é o da Ongoing, que se transformou num braço armado de Ricardo Salgado na luta pela PT. Um império que os acionistas de referência destruíram, com a contribuição de José Sócrates, que forçou o casamento com um grupo pouco recomendável do Brasil.

O único ativo valioso da Ongoing eram as ações da PT adquiridas a crédito. Enquanto a gestão de Bava e Granadeiro dava generosos dividendos, o grupo construído com ambição desmedida, mas com pés de barro, criava a ilusão de um potentado. O desmoronamento da PT revelou que o rei estava nu. Os bancos fizeram-se para reunir dinheiro e emprestá-lo. O crédito tem uma grande utilidade económica e é fator determinante para criação de riqueza.

Se este dinheiro tivesse sido aplicado em projetos produtivos, o país estaria mais rico. O problema é que no BES e em outros bancos houve demasiado crédito sem garantias para especuladores, que enriqueceram num país pobre e deixaram os calotes para os contribuintes. São sempre os mesmos a pagar os almoços grátis dos especuladores.