Salgado rejeita culpas na falência e ameaça entupir processo do BES

Fevereiro 18th, 2019

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Negócios

O ex-banqueiro já entregou a contestação no Tribunal do Comércio, tal como os restantes 12 ex-administradores. De acordo com o CM, Ricardo Salgado foca-se sobretudo na intervenção do Banco de Portugal.

São cerca de 700 páginas, acompanhadas por um conjunto de 365 documentos, em que Ricardo Salgado volta a recusar responsabilidades nos créditos ruinosos concedidos às empresas do Grupo Espírito Santo por parte do banco que liderou durante mais de duas décadas, tentando culpar o Banco de Portugal pela falência.

Na contestação entregue no Tribunal do Comércio, citado pelo CM esta segunda-feira, 18 de fevereiro, o ex-banqueiro apresenta uma lista de mais de 50 testemunhas e aponta baterias ao regulador, numa iniciativa que ameaça entupir o processo de falência do banco que ficou com todos os ativos tóxicos aquando da criação do Novo Banco.

É que, relata o mesmo jornal, Ricardo Salgado pede ao juiz para suspender a insolvência até os tribunais administrativos informarem quantos processos existem contra o Banco de Portugal devido à aplicação da medida de resolução e também pretende que o magistrado solicite o relatório sobre a própria atuação do supervisor no âmbito desta decisão, que alega ter provocado o colapso da instituição financeira.

O documento em causa foi pedido ao Boston Consulting Group pelo próprio Banco de Portugal, mas até agora esses resultados relativos ao processo de resolução do BES, em agosto de 2014, foram mantidos em segredo. Inclusive de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Como o Negócios noticiou a 20 de janeiro, os antigos gestores do BES também recusaram culpas pela queda do banco. Rui Silveira admite terem existido irregularidades, das quais se afasta. Amílcar Morais Pires, ex-administrador financeiro, é o protagonista de um livro em que a posição é a mesma. E Ricardo Abecassis acusa a comissão liquidatária de ter falhado completamente na análise à sua responsabilidade.

Álvaro Sobrinho: Acionistas angolanos do BESA “roubaram 3 mil milhões aos portugueses”

Fevereiro 12th, 2019

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Negócios

Uma investigação publicada hoje na revista Visão mostra que a assembleia-geral do BES Angola de outubro de 2014 provocou perdas de 3 mil milhões de euros para o BES e o Novo Banco.

Álvaro Sobrinho, o ex-presidente do BES Angola (BESA), acusa os acionistas angolanos do banco, bem como o banco central Banco Nacional de Angola, de terem montado um esquema para subtrair 3 mil milhões de euros ao BES e ao Novo Banco.

Segundo a revista Visão, que publica esta quinta-feira uma investigação sobre o tema, o ato central deste plano foi concretizado a 29 de outubro de 2014, numa assembleia-geral onde foi deliberado um aumento de capital do BESA e a diluição das posições dos acionistas.

Nesta AG, segundo conta a Visão, que teve acesso às atas da reunião, não participou a representante do BES, banco que tinha sido alvo de resolução uns meses antes e na altura detinha 55% do capital do BESA. Devido a uma operação policial montada à porta do hotel onde estava hospedada, a advogada que representava o BES demorou uma hora a percorrer um percurso de cinco minutos.

Quando chegou à sede do BESA, já não a deixaram entrar e as decisões que ditaram uma perda de 3 mil milhões de euros para o BES e o Novo Banco já estavam tomadas. Foram aprovadas pelos acionistas angolanos, que tinham uma posição minoritária e hoje são os que controlam o Banco Económico, o banco que sucedeu ao BESA.

Em entrevista à Visão, Álvaro Sobrinho acusa os generais de José Eduardo dos Santos, Dino e Kopelipa, e também o Grupo Espírito Santo de serem os principais beneficiários dos créditos do BES Angola. E diz que os portugueses foram vítimas de um plano maior montado pelos acionistas angolanos do BESA – com a conivência do Banco Nacional de Angola – para tomarem de assalto, em 2014, o ex-BESA, que se transformou no Banco Económico.

“Isto foi um assalto. Roubaram 3 mil milhões de euros aos portugueses. Acredito que interesses extremamente importantes se moveram para que um grupo de pessoas tomasse de assalto o maior banco de Angola, que tinha os maiores ativos mobiliários e imobiliários”, refere Álvaro Sobrinho, que diz que só agora decidiu falar porque o regime mudou. “Eram pessoas do Estado, chefes do serviço de inteligência de Angola! Acha que podia falar? Que podia contrapor? Fazer qualquer coisa que não calar-me?”

Antes da AG o BES tinha 55% do capital do BESA e devido ao que ficou aprovado na AG, o Novo Banco ficou apenas com 9%.

As operações aprovadas na AG do BESA obrigaram o BES a reconhecer perdas de 273 milhões de euros com o crédito concedido ao banco angolano, enquanto as perdas do Novo Banco totalizaram 2,75 mil milhões de euros. O BES tinha emprestado 3,4 mil milhões de euros ao BESA e a dívida foi revista para 688 milhões após o perdão aprovado na AG.

Acredito que interesses extremamente importantes se moveram para que um grupo de pessoas tomasse de assalto o maior banco de Angola, que tinha os maiores ativos mobiliários e imobiliários ÁLVARO SOBRINHO

“Momento de ouro” 

“Disseram que o banco estava falido e hoje são eles os próprios donos do banco”, diz Álvaro Sobrinho, que conclui que o plano terá sido orquestrado com a conivência de José de Lima Massano, na altura presidente do banco central Banco Nacional de Angola.

“O BNA viu ali um momento de ouro: há problemas no BES em Portugal, temos aqui uma dívida para saldar, e vamos fazer aqui uma manigância para não pagar essa dívida”.

Ricardo Salgado também falou à visão sobre o assunto. “Ficou evidente que o Banco de Portugal e as instituições financeiras que resultaram da resolução (Novo Banco e BES) deram um presente a Angola”, disse o ex-presidente do BES, que está a ser investigado no âmbito da queda do banco em 2014.

Santana questiona papel do Banco de Portugal quando bancos começaram a ir “por aí abaixo”

Fevereiro 12th, 2019

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Eco

Santana questiona papel do Banco de Portugal quando bancos começaram a ir “por aí abaixo”

Santana Lopes questionou: “Tantos bancos começaram a ir por aí abaixo e não deram por nada no Banco de Portugal?” Prometeu que o Aliança não vai dizer “o que eles gostam de de ouvir”.

líder da Aliança, Pedro Santana Lopes, questionou no sábado como o Banco de Portugal não se apercebeu que “tantos bancos começaram a ir abaixo”, e prometeu que o seu partido não diz “o que eles gostam de ouvir”.

Na primeira intervenção, durante o primeiro dia do Congresso fundador do partido, Pedro Santana Lopes começou por dizer que ouviu “uma dirigente do Bloco de Esquerda propor ontem [quinta-feira] que o parlamento adote uma decisão qualquer para averiguar a idoneidade do atual governador do Banco de Portugal, porque fez parte do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos”.

“Mas desculpem lá, às vezes penso que a minha televisão avaria porque ouvi aquilo e depois fiquei a olhar à volta e pensei: então e o doutor Constâncio, o que foi supervisor do Banco de Portugal disto tudo, não deu por nada?”, questionou.

Santana perguntou “que país é este”, e insistiu: “não tem de se averiguar nada? Não tem de se tratar da idoneidade?”.

“Tantos bancos que naquele período dos senhores a quem o doutor Sampaio abriu a porta, tantos bancos começaram a ir por aí abaixo e não deram por nada no Banco de Portugal?”, interrogou-se.

“Mas desculpem lá, às vezes penso que a minha televisão avaria porque ouvi aquilo e depois fiquei a olhar à volta e pensei: então e o doutor Constâncio, o que foi supervisor do Banco de Portugal disto tudo, não deu por nada?”

Santana Lopes

Líder do partido Aliança

Num discurso de mais de uma hora, Pedro Santana Lopes questionou se “não houve reuniões no Banco de Portugal à noite, em 2007 e 2008” quando se deu “o assalto ao BCP com o dinheiro para comprar ações de centenas de milhões de euros, [e] sem nenhuma garantia”.

“Não pensem que nós seguimos este caminho para dizer só o que eles gostam de ouvir. Vai ser ao contrário, o que vão ouvir, quase nunca vão gostar”, salientou, referindo que “a Aliança não é um partido radical, está sempre disposta a celebrar acordos em nome do interesse nacional”.

Na opinião do antigo primeiro-ministro, “isto tem mesmo de mudar” por “causa das políticas, não é por causa de embirrações pessoais ou embirrações de grupo ou ressentimentos ou seja o que for”.

Governador do Banco de Portugal diz que pediu escusa sobre CGD em novembro passado

Fevereiro 12th, 2019

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Observador

Governador do Banco de Portugal diz que pediu escusa sobre CGD em novembro passado

 

 

Governador do Banco de Portugal teve de esclarecer o esclarecimento da passada sexta-feira. Depois de ter dito que pediu escusa dos assuntos da Caixa, informou agora que o fez em novembro.

BE classifica nova injeção de capital no Novo Banco como um desastre

Fevereiro 12th, 2019

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Dinheiro Vivo

O Novo Banco deverá receber este ano uma nova injeção de capital que pode ultrapassar os mil milhões de euros.

A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua criticou hoje uma nova injeção de capital no Novo Banco, afirmando que o banco “vai ser limpo com o dinheiro dos contribuintes portugueses” e que não poderia haver “maior desastre”. Nos últimos dias foi conhecida a informação de que o Novo Banco deverá receber este ano uma nova injeção de capital que pode ultrapassar os mil milhões de euros. Hoje, em conferência de imprensa que decorreu na sede nacional do BE, em Lisboa, Mariana Mortágua foi instada a comentar esta questão.

“Nós avisámos, dissemos no momento da privatização do Novo Banco que iríamos pagar para vender o Novo Banco, e que o Estado daria uma garantia aos compradores privados do Novo Banco que era equivalente a todo o dinheiro que já tinha sido injetado no BES”, começou por afirmar. A bloquista lembrou também que o partido alertou “que essa garantia iria ser utilizada pelos privados, e que os contribuintes acabariam a dobrar o montante que injetaram no BES”. “Essa não foi a posição deste Governo, que preferiu outra opção e vendeu o banco a privados com uma garantia pública que irá cobrir os prejuízos do Novo Banco num prazo dos próximos anos, e já ouvimos no ano passado, voltamos a ver este ano a injeção”, acrescentou. Mariana Mortágua considerou então que “o que se vem a revelar hoje é precisamente aquilo” que o BE disse “que ia acontecer, um banco privatizado e que vai ser limpo com o dinheiro dos contribuintes portugueses”.

Para a bloquista, “maior desastre e decisão mais errada não poderia ter existido”. “Nós não podemos dizer que não tivéssemos alertado, sempre o alertámos, sempre dissemos que o banco deveria ficar em mãos públicas porque aí nós pagamos, mas sabemos que ficamos com o banco e com a propriedade”, disse, acrescentando que “se o Estado paga, o Estado manda e o Estado tem a propriedade”. “Neste caso, estamos a pagar e o banco será de privados”, criticou.

PCP apoia projeto do Bloco para exonerar Carlos Costa

Fevereiro 12th, 2019

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SIC com som

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admite apoiar a iniciativa do Bloco de Esquerda para afastar Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal.

Morais Pires contra-ataca: “Governador do Banco de Portugal provocou uma tempestade perfeita” no BES

Fevereiro 12th, 2019

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Expresso

Em entrevista ao El País, o ex-administrador financeiro do BES, Amilcar Morais Pires, culpa o Banco de Portugal de ter intervencionado o então BES em agosto de 2014, de não ter aceite alternativas à resolução e de ter “inventado um aumento desnecessário de provisões”

O Banco de Portugal tinha três alternativas para viabilizar o BES mas preferiu avançar para a resolução causando com isso “uma tempestade perfeita” no banco, levando a perdas Foi má para os acionistas, os clientes, os empregados e para o Estado. A opinião foi expressa este fim-de-semana em entrevista ao El País, por Amílcar Morais Pires, antigo braço direito de Ricardo Salgado.

“O banco teve dois problemas para os quais foram encontradas soluções. Em 2013, foi detectada uma dívida oculta do grupo familiar. O BES vendeu aos seus clientes, através da rede de escritórios, essa dívida de 1.200 milhões de euros. Um problema semelhante ao experimentado na Espanha com os preferidos. A família Espírito Santo deu como garantia a sua seguradora Tranquilidade (no valor de €700 milhões), com a qual o problema estava em vias de ser resolvido. O segundo problema foi a falta de liquidez da subsidiária em Angola (BESA), onde o BES tinha 55%”, começa por enquadrar Morais Pires ao El País.

Vai mais longe ao afirmar que até conseguiu ” uma garantia soberana do Estado de Angola no valor de 5.700 milhões, que cobria 70% da carteira de empréstimos”, mas não conseguiu evitar o colapso.

Face a isto, diz que a intervenção no BES em 2014, foi “uma decisão incompreensível e injustificada do Banco de Portugal. Foi má para os acionistas, os clientes, os empregados e para o Estado que colocou 4 mil milhões de euros e quatro anos depois perdeu-os”.

Recorde-se que Morais Pires foi condenado em três processos pelo Banco de Portugal. Um deles está em recurso porque o tribunal considerou que o Banco de Portugal não deu tempo aos arguidos para se defenderem, e o supervisor e o Ministério Público recorreram para o Tribunal da Relação. Num outro já foi condenado ao pagamento de uma coima de 350 mil euros pelo tribunal de primeira instância por causa da comercialização do papel comercial do BES/GES. Vai recorrer para a Relação. E num terceiro, precisamente sobre a exposição do BES ao BES Angola, foi agora condenado ao pagamento de uma coima de 1,2 mil milhões de euros. E também irá recorrer.

Mas o ex-administrador do BES vai mais longe: “O governador provocou uma tempestade perfeita, com a sua intervenção, durante dois meses (antes da resolução) destruiu os 6,3 mil milhões que valia o BES”.

Morais Pires critica ainda o facto do Banco de Portugal ter a “perrogativa de acusar e condenar”, mas que na via judicial “vão caindo as acusações”. E recorda que foi nomeado para presidir ao BES, depois do afastamento da família Espírito Santos, em particular de Ricardo Salgado da presidência do banco, mas que “o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, bloqueou a minha nomeação”. E que colocou à frente do banco, Vítor Bento, um economista sem nenhuma experiência em gestão bancária (que se demitiu meses depois)”.

E não fica por aqui, em sua defesa afirma mesmo que ” de 13 de julho (desde que saiu do BES) a 3 de agosto quando o banco foi intervencionado, “houve uma conivência do governador com o auditor, que emitiu um julgamento muito favorável à dívida da empresa holding, para a distorção material das contas, com contabilidade artificial, aumento desnecessário de provisões …Tudo com o fim de baixar o rácio de capital que o banco tinha de 8,25% para 5,1%, abaixo do mínimo exigido de 7%”.

O ataque ao Banco de Portugal continua referindo que o supervisor liderado por Carlos Costa não aceitou nenhuma das alternativas à intervenção do BES, mas que à data havia três saídas: o acionista francês Crédit Agrícole tomar o controlo, o fundo Blackstone realizar um aumento de capital de 2 mil milhões, e o BES fazer um aumento de capital no BES Angola. Por não se ter feito este aumento de capital, perdeu-se a garantia soberana.

Nenhum destes cenários foi até agora provado como alternativa ao não colapso do BES.

Respostas Rápidas: Carlos Costa no ‘centro do furacão’. O que pedem BE e CDS?

Fevereiro 12th, 2019

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Económico

“É indiscutível que a exoneração tem de se colocar”, diz o CDS. Bloquistas são mais peremptórios e pedem ao Governo que “exonere o Governador do Banco de Portugal”.

Que argumentos apresenta o CDS para pedir a exoneração do governador do Banco de Portugal?

O deputado e porta-voz do CDS-PP João Almeida considerou que a atividade anterior de administrador da CGD de Carlos Costa “está a arrastar o Banco de Portugal para o centro do debate”, o que considera ser prejudicial para o seu papel de supervisor.

Questionado se o CDS-PP pondera pedir a exoneração de Carlos Costa, como fez hoje o BE, João Almeida respondeu afirmativamente.

“Quando o supervisor tem um governador que pede escusa num dos processos mais importantes que o banco tem para apurar, é indiscutível que a exoneração tem de se colocar”, respondeu.

O que pede o Bloco de Esquerda no que diz respeito a Carlos Costa?

Os bloquistas pedem ao Executivo de António Costa a exoneração do governador do Banco de Portugal (BdP) face à impossibilidade de aferir a sua idoneidade, dado que Carlos Costa escapou à avaliação que o regulador está a fazer a ex-gestores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que participaram em atos de decisão de créditos ruinosos do banco público, resultado em perdas de 1,6 mil milhões de euros, segundo o relatório de auditoria à gestão da Caixa entre 200 e 2015.

“Face ao comprovado envolvimento na Caixa Geral de Depósitos, Carlos Costa não cumpre as condições de escrutínio e isenção para o desempenho das funções de Governador do Banco de Portugal”, defende o BE no projecto de resolução que dará entrada Parlamento nesta segunda-feira, 11 de Fevereiro.

Como é que o BE justifica este pedido de exoneração do governador do Banco de Portugal?

Os bloquistas recomendam ao Governo que “exonere o Governador do Banco de Portugal, Carlos da Silva Costa” na sequência de notícias da revista Sábado que revelou que Carlos Costa esteve em reuniões do conselho de crédito da CGD que aprovaram “sem justificação”, créditos ruinosos da CGD como as operações de Vale do Lobo, e empréstimos a Manuel Fino e Joe Berardo. E também do Jornal Económico, na sexta-feira passada, que revelou que Carlos Costa, apesar de ter sido administrador no banco público entre 2004 e 2006, escapou à avaliação de idoneidade aos ex-gestores da Caixa, num exame que envolve menos de 10 antigos administradores, que está a ser levada a cabo pelo BdP.

BE pede exoneração de Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal

Fevereiro 12th, 2019

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Público

Mariana Mortágua diz que Carlos Costa “não cumpre as condições de escrutínio e isenção”.

O Bloco de Esquerda pede ao Governo que “exonere” Carlos Costa do cargo de governador do Banco de Portugal por este não poder ser escrutinado, neste momento, pela sua actuação enquanto administrador da Caixa Geral de Depósitos durante um período em que foram concedidos créditos ruinosos.

“O governador do Banco de Portugal não pode estar acima de escrutínio. A suspeita quanto à sua idoneidade é, em si, incompatível com as funções que desempenha”, lê-se no projecto de resolução do partido que pede a saída de Carlos Costa do banco central.

Na apresentação do projecto, a deputada Mariana Mortágua observou que há “um único administrador que o Banco de Portugal disse que não ia avaliar” que era o próprio governador e que o que está em causa é saber se Carlos Costa é “idóneo” para ser governador. “Quem pode garantir que Carlos Costa tem idoneidade”, pergunta. “Essa garantia não existe, porque o Banco de Portugal não vai fazer uma avaliação do seu governador”, acrescenta a deputada.

“O governador já devia ter chegado à conclusão de que não tem condições para se manter no seu cargo”, afirmou a deputada que espera que outros partidos acompanhem o projecto do BE, e que considera “estranho” que tenha de ser um partido a “pressionar” para que isto aconteça.

Isto, porque, para o BE, sem a possibilidade de “aferir a sua idoneidade face ao comprovado envolvimento na Caixa Geral de Depósitos, Carlos Costa não cumpre as condições de escrutínio e isenção para o desempenho das funções de governador do Banco de Portugal” em, por isso, pede que o Governo “exonere o governador do Banco de Portugal, Carlos da Silva Costa”.

Em causa está o facto de vários ex-administradores da CGD estarem a ser avaliados na sua idoneidade pelo BdP, e o Bloco não compreende o porquê de essa avaliação não ser extensível ao governador do Banco de Portugal, que foi administrador da CGD numa parte do período em análise (2004 e 2006) e que “pertenceu ao Conselho de Crédito que aprovou, sem justificação, várias operações de concessão e reestruturação de crédito que incumpriram as indicações da DGR” – circunstância que, após ter sido revelada pela Sábado, na semana passada, levou Carlos Costa a precisar que “durante todo o período em que exerceu funções de administrador na CGD, (…) não teve responsabilidades nas áreas de crédito, risco, acompanhamento de clientes ou de controlo e auditoria interna.

Nesta segunda-feira, Mariana Mortágua argumentou ainda que Carlos Costa pediu escusa da avaliação da idoneidade “de quem foi seu colega na administração da Caixa” e que essa escusa mostra que há “conflito de interesses”. “O reconhecimento do envolvimento de Carlos Costa no percurso da CGD no período em causa ficou claro no momento em que o governador pediu escusa no processo de averiguação associado à auditoria da Caixa”, lê-se no projecto.

Mas mais do que a escusa na avaliação da idoneidade dos colegas, é a própria avaliação dos actos “do ex-administrador Carlos Costa, e da sua idoneidade para exercer as funções de governador do Banco de Portugal, regulador e supervisor do sistema bancário” que está em causa, lê-se no projecto de resolução que o partido apresentou esta tarde.

Ainda esta segunda-feira, o Banco de Portugal enviou um comunicado às redacções no qual informa que Carlos Costa pediu “escusa” de todas as deliberações do regulador no que diz respeito às decisões que serão tomadas na sequência da auditoria da Ernst&Young à Caixa Geral de Depósitos. Refere o comunicado desta segunda-feira que o pedido de escusa “foi apresentado na ocasião da primeira deliberação tomada neste âmbito, em 6 de Novembro de 2018, e nessa data aceita pelo Conselho de Administração”.

 

Salgado quer manter reforma de 52 mil euros

Fevereiro 10th, 2019

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Sábado

O Novo Banco e o Fundo de Pensões estão em guerra com o ex-banqueiro. Mas Ricardo Salgado tem ganho sempre e, agora, exige nos tribunais que lhe paguem mais de 300 mil euros e juros.

Reformado aos 70 anos, o antigo banqueiro saiu de cena ainda antes da resolução do Banco de Portugal e, em julho de 2014, conseguiu que lhe fosse oficialmente reconhecida uma reforma milionária de 51.862,25 euros brutos por mês.

O então fundo de pensões do BES fez os cálculos do montante a pagar. Segundo os documentos a que a SÁBADO teve acesso, estavam em causa os seguintes valores mensais brutos: cerca de 3.100 euros de pensão base por Salgado ter trabalhado no setor bancário e outros cerca de 48.700 euros divididos por dois planos complementares previstos no fundo. O total de pagamentos estendia-se por 14 meses/ano.

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