Costa recebido por protesto ruidoso dos lesados pede “voto de censura” ao PSD

Abril 15th, 2019

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Público

Secretário-geral do PS preparava-se para almoçar com Pedro Marques, cabeça de lista do partido às europeias e com militantes socialistas numa acção de pré-campanha eleitoral.

O primeiro-ministro, António Costa, foi neste domingo recebido em Vila Nova de Gaia por um grupo de lesados do BES/Novo Banco que, ao som de apitos e bombos e junto a bandeiras negras, gritava “devolvam o nosso dinheiro”.

“Ganharam todos. Só os lesados é que foram vigarizados” ou “Vergonha, não há justiça” são algumas das frases das faixas e cartazes colocados ao longo da rua de frente para o pavilhão municipal de Avintes, Gaia, onde o secretário-geral do PS, António Costa, e do cabeça de lista às eleições europeias, Pedro Marques, vão almoçar com centenas de militantes socialistas numa acção de pré-campanha eleitoral.

O programa previa que António Costa chegasse às 12h30, tendo o primeiro-ministro chegado cerca das 13h30, acompanhado por Pedro Marques e pelo presidente da Câmara de Gaia, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues.

À saída do carro, Costa ainda chegou a ser puxado por um dos representantes do grupo de lesados do BES/Novo Banco, mas com a intervenção da segurança acabou por entrar no recinto debaixo de um coro de gritos, som de apitos e megafones.

Novo Banco recebeu 17,8 milhões de euros em dividendos de participadas

Abril 15th, 2019

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Económico

A GNB Vida, que está em processo de venda ainda sem luz verde dos reguladores, apesar de ter sido anunciada a venda no ano passado, tem um valor de 620,472 milhões em 31 de dezembro de 2018. A isto abate uma imparidade constituída para este ativo no valor de -445,472 milhões, pelo que o valor da seguradora líquido de imparidades é de 174,9 milhões de euros.

Segundo o relatório e contas já auditado do Novo Banco, referente ao exercício de 2018, foram registados rendimentos de instrumentos de capital no valor de 17.864 milhares de euros, que incluem dividendos recebidos da Unicre no valor de 2.765 milhares de euros; do BEST no valor de 2.712 milhares de euros; da Explorer III (FIQ) no valor de 3.027 milhares de euros; da Locarent no valor de 1.727 milhares de euros; da GNB Seguros no valor de 1.422 milhares de euros; da Euronext no valor de 1.514 milhares de euros e da Haitong FCR  (capital de risco) no valor de 1.251 milhares de euros.

Este montante compara com receitas de capital de 23,55 milhões de euros, em dezembro de 2017, e que incluem dividendos registados da GNB Gestão de Ativos no valor de 10.500 milhares de euros; da Unicre valor de 3.396 milhares de euros; do BEST valor de 2.471 milhares e da GNB Seguros valor de 2.128 milhares de euros).

Ativos não correntes detidos para venda

Nas notas explicativas individuais dos números de 2018, que estão publicadas no relatório e contas, o Novo Banco apresenta uma lista de ativos detidos para vender, o seu valor e as imparidades constituídas.

Assim: a GNB Vida, que está em processo de venda ainda sem luz verde dos reguladores, apesar de ter sido anunciada a venda no ano passado, tem um valor de  620,472 milhões em 31 de dezembro de 2018. A isto abate uma imparidade constituída para este ativo no valor de  -445,472 milhões, pelo que o valor da seguradora líquido de imparidades é de 174,9 milhões de euros.

O Banco Well Link (anterior NB Ásia), cuja venda foi feita em 2017, mas que não foi vendido na totalidade, está avaliado em  4,013 milhões. Não há imparidades constituídas para esta participação.

O Novo Banco em maio de 2017 vendeu 75% do Novo Banco Ásia, instituição com sede em Macau, por 145,8 milhões de euros. A alienação de 75% da participação no NB Ásia provocou o registo de uma mais valia de 88,2 milhões de euros. O comprador foi o chinês Well Link, empresa com sede em Hong Kong, mas o banco ficou ainda com 25%.

Recorde-se que “o acordo de venda assinado prevê ainda um conjunto de opções de compra e venda, com condições já acordadas, que cobrem os restantes 25% e são exercíveis num prazo até 5 anos perfazendo um preço total para os 100% de 183 milhões de euros”, anunciou o Novo Banco em 2017, em comunicado.

A instituição tem ainda para vender Banco Delle Tre Venezie, cujo valor do ativo está fixado em 8,926 milhões. A isto abate uma imparidade de  -2,901 milhões, pelo que o banco está avaliado em termos líquidos em 6 milhões de euros

O Novo Banco vendeu a Quinta dos Cónegos. Em 2017 este ativo valia 4,893 milhões e tinha uma imparidade de 3,452 milhões de euros.

O banco vendeu também a participação no francês BES Vénétie de 87,5% (incluindo a participação na sociedade SCI George Mandel) ao fundo Cerberus, no final de 2018. O valor não foi divulgad0, mas o banco tinha um valor de 55 milhões em 2017 e uma imparidade de  32,787 milhões, pelo que o valor do banco era 22,3 milhões, sendo que o banco anunciou que a conclusão desta transação teve um impacto positivo estimado de 30 pontos base no rácio de capital Common Equity Tier 1. Ou seja, foi vendido acima dos 22,3 milhões.

O Novo Banco já saiu também da Venezuela. Em março do ano passado vendeu  os ativos e passivos da sua sucursal na Venezuela ao BANCAMIGA, Banco Universal, deixando assim de ter atividade bancária naquele país.

Contribuição para o Fundo de Resolução, Novo Banco também paga

Em 31 de dezembro de 2018, a contribuição periódica efetuada pelo Novo Banco ascendeu a 10,8 milhões de euros (acima do registado 31 de dezembro de 2017 que era de 7,673 milhões de euros).

No seguimento da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro, foi criada a Contribuição sobre o Setor Bancário, a qual incide sobre o passivo médio anual apurado em balanço deduzido dos fundos próprios e dos depósitos abrangidos pela garantia do Fundo de Garantia de Depósitos e sobre o valor nocional dos instrumentos financeiros derivados.

A Contribuição sobre o Setor Bancário não é elegível como custo fiscal e o respetivo regime tem vindo a ser prorrogado, diz o documento.

Em 31 de dezembro de 2018, o Banco reconheceu como gasto relativamente à Contribuição sobre o Setor Bancário, o valor de 26,8 milhões de euros (31 de dezembro de 2017 tinha sido de 30,256 milhões de euros).

O gasto reconhecido a 31 de dezembro de 2018 foi apurado e pago com base na taxa máxima de 0,110% que
incide sobre o passivo médio anual apurado em balanço deduzido dos fundos próprios e dos depósitos
abrangidos pela garantia do Fundo de Garantia de Depósitos.

Estado pode exercer 6,5% do capital do Novo Banco

Estima-se que os direitos de conversão no âmbito do regime especial aplicável aos ativos por impostos diferidos, a serem emitidos e atribuídos ao Estado na sequência dos resultados líquidos negativos dos exercícios de 2015, 2016 e 2017 lhe confiram uma participação até cerca de 6,5% do capital social do Novo Banco, lê-se no relatório do banco.

Havia um regime criado pelo governo PSD/CDS-PP, que vigorou de 2014 a 2016, que permitiu aos bancos transformar em créditos fiscais os ativos por impostos diferidos acumulados (resultantes da diferença entre os custos contabilísticos com imparidades ou provisões e os reconhecidos para efeitos fiscais), ajudando aos rácios de capital dos bancos e permitindo que de futuro pudessem ser deduzidos à fatura fiscal ou mesmo devolvidos.

“Tivemos dois reembolsos de DTA [ativos por impostos diferidos]. O Estado não exerceu o direito de conversão e pode não exercer”, afirmou António Ramalho, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2018. O banqueiro acrescentou que, no total, o Estado devolveu 220 milhões de euros, “100 milhões este ano e 120 milhões o ano passado”.

O banco aderiu ao Regime Especial Aplicável aos Ativos por Impostos Diferidos aprovado pela Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto. O referido regime aplica-se aos ativos por impostos diferidos resultantes da não dedução, para efeitos de IRC, de gastos e variações patrimoniais negativas que tenham sido registados até 31 de dezembro de 2015 com perdas por imparidade em créditos e com benefícios pós-emprego ou a longo prazo a empregados.

Esse regime prevê que os ativos por impostos diferidos possam ser convertidos em créditos tributários quando o sujeito passivo registe um resultado líquido anual negativo.

No que respeita ao exercício de 2017, na sequência do apuramento de um resultado líquido negativo e da
aprovação das contas anuais pelos órgãos sociais, a aplicação do referido Regime Especial implicou em 2018, a conversão dos ativos por impostos diferidos elegíveis num crédito tributário em função da proporção desse resultado líquido no valor dos capitais próprios, estimado em 152,478 milhões de euros.

Os direitos de conversão são valores mobiliários que conferem ao Estado o direito a exigir ao NB o respetivo aumento de capital social, através da incorporação do montante da reserva especial e consequente emissão e entrega gratuita de ações ordinárias. Os acionistas do NB têm o direito potestativo de adquirir os direitos de conversão ao Estado.

O balanço consolidado apresenta ativos por impostos diferidos de cerca de 1,2 mil milhões de euros com referencia a 31 de dezembro de 2018. O resultado do ano inclui 667,7 milhões relativo a impostos sobre o rendimento.

Os ativos por impostos diferidos incluem 907,5 milhões relativos a diferenças temporárias no tratamento fiscal das perdas de imparidades para crédito e 138,9 milhões em prejuízos fiscais reportáveis para exercícios futuros, dos quais apenas uma parte está abrangido pelo regime especial.

A administração do banco elaborou um plano de recuperação desses ativos por impostos diferidos com base em estimativas de lucros futuros. “A capacidade de o Grupo conseguir recuperar os ativos por impostos diferidos está dependente da materialização do plano e do enquadramento fiscal”, é uma das observações do relatório de auditoria da EY.

Provisões para litígios

São os chamados passivos contingentes. No relatório e contas o Novo Banco identifica os litígios que podem ter efeitos ou impactos nas demonstrações financeiras da instituição (exclui os casos em que a responsabilidade não foi transferida do BES como é o caso dos litígios movido no Tribunal da Venezuela) . O Novo Banco detalha que lhe pode calhar responsabilidades fruto da ação judicial intentada pela Partran, SGPS, Massa Insolvente da Espírito Santo Financial Group, e Massa Insolvente da Espírito Santo Financial (Portugal), contra o banco e e a Calm Eagle Holdings através da qual se pretende a declaração de nulidade do penhor constituído sobre as ações da Companhia de Seguros Tranquilidade, e, subsidiariamente, a anulação do penhor ou a declaração da sua ineficácia.

Mas o banco poderá beneficiar de uma ação judicial apresentada por si de impugnação da resolução em benefício da massa insolvente dos atos de constituição e de posterior execução do penhor sobre as ações da sociedade Companhia de Seguros Tranquilidade, declarada pelo administrador de insolvência da Partran, SGPS, por considerar que não existem fundamentos para a resolução dos referidos atos, bem como para a devolução da quantia recebida a título de preço (25 milhões de euros, suscetível de ajustamento positivo) pela venda das ações da Companhia de Seguros Tranquilidade. O Novo Banco impugnou judicialmente o ato de resolução, correndo o processo por apenso ao processo de insolvência da Partran, SGPS.

Mas também as ações judiciais intentadas na sequência da celebração do contrato de compra e venda do capital
social do NB, assinado entre o Fundo de Resolução e a Lone Star em 31 de março de 2017, relacionadas com as condições da venda, nomeadamente a ação administrativa intentada elo Banco Comercial Português,  contra o Fundo de Resolução, da qual o NB não é parte e, no âmbito da qual, segundo a divulgação pública de informação privilegiada efetuada pelo BCP no site da CMVM em 1 de setembro de 2017, é solicitada a apreciação jurídica da obrigação de capitalização contingente assumida pelo Fundo de Resolução no âmbito do CCA.

Há ainda o risco do recurso interposto no Tribunal Geral da União Europeia pelo Banco Comercial Português, e
outras entidades do grupo, onde é solicitada a anulação da decisão da Comissão Europeia C (2017/N), de 11 de outubro de 2017, na medida em que considera o contrato de capital contingente acordado entre o Fundo de Resolução e o Grupo Lone Star, no âmbito da venda do NB, um auxílio de Estado compatível com o mercado interno.

O NB tomou conhecimento deste procedimento, através da publicação efetuada no Jornal Oficial da União Europeia de dia 16 de julho de 2018. Apesar de o NB não ser parte neste processo, requereu ao Tribunal
Geral a sua intervenção como parte, tendo o pedido sido deferido.

Grupo Novo Banco com imparidades acumuladas de 3,96 mil milhões equivalentes a 13,78% do crédito

Abril 15th, 2019

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Económico

A conta do Balanço Consolidado do Grupo Novo Banco, relativa a crédito a clientes inclui “uma imparidade acumulada” de 3.957,9 milhões de euros, “reconhecendo-se um impacto de 263,5 milhões nos resultados do ano registados na linha de imparidade do crédito líquido de reversões”, diz a EY.

“A imparidade para o crédito a clientes representa a melhor estimativa do órgão de gestão do Grupo, da perda esperada da carteira de crédito a clientes com referência a 31 de dezembro de 2018”, diz a EY no seu relatório de auditoria às contas do Novo Banco que foram aprovadas sem reservas ou ênfases.

A conta do Balanço Consolidado do Grupo Novo Banco, relativa a crédito a clientes inclui “uma imparidade acumulada” de 3.957,9 milhões de euros, “reconhecendo-se um impacto de 263,5 milhões nos resultados do ano registados na linha de imparidade do crédito líquido de reversões”, diz a EY. O valor bruto do crédito a clientes é de 28.712,4 milhões de euros, “pelo que a imparidade acumulada representa 13,78% do valor do crédito”, lê-se no relatório dos auditores.

No que toca ao Balanço do Novo Banco, apenas, o crédito a clientes inclui imparidades para crédito acumuladas de 4 mil milhões de euros que provocou um impacto de 295 milhões nos resultados do banco. O valor bruto do crédito a clientes é de 26,9 mil milhões, pelo que a imparidade acumulada pesa 15,14% do valor do crédito.

O banco lembra que durante o exercício de 2018 foi realizada uma operação de venda de uma carteira de créditos não produtivos, sendo que o impacto desta operação no balanço traduziu-se numa redução do crédito a clientes de 543,9 milhões de euros (1.529,9 milhões de euros de valor bruto e 986,1 milhões de euros de imparidade), e o impacto em resultados traduziu-se numa perda de 108,9 milhões de euros, referia-se ao projeto Nata.

O Relatório confirma que o Banco reduziu os NPLs em 3.358 milhões , tendo reduzido o rácio de NPLs sobre crédito para 22,4%, pela primeira vez aquém dos 25%. Os NPLs líquido desceram, também pela primeira vez, para um valor abaixo dos 3 mil milhões de euros.

A Assembleia Geral do Novo Banco aprovou o relatório e contas referentes a 2018. As contas já foram acompanhadas da auditoria independente sem quaisquer reservas pela E&Y.

As contas de 2018 apresentaram pela primeira vez a separação entre o Novo Banco “Core” e o NB Legado, sendo que o Novo Banco “Core” apresenta, pela primeira vez desde a resolução, um resultado positivo de 2,2 milhões de euros, evidencia uma recuperação face aos 311,4  milhões de prejuízo registados no ano anterior.

O resultado combinado foi negativo em 1.412 milhões, o ainda assim é uma melhoria de 38,5% face ao resultado comparável do ano anterior.

Novo Banco perde 159 milhões com imóveis e 110 milhões com malparado

Abril 15th, 2019

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Negócios

O banco liderado por António Ramalho planeia vender perto de 4 mil milhões de euros em crédito malparado e imóveis este ano. Um esforço que se segue à venda de duas carteiras que provocou perdas em 2018 de 270 milhões de euros.

O Novo Banco continua a a acelerar a venda de carteiras de crédito malparado e imóveis para libertar o balanço dos ativos tóxicos. Só este ano, estes esforços devem levar a instituição financeira liderada por António Ramalho a alienar perto de quatro mil milhões de euros. Um esforço que pode voltar a ter impacto nos resultados do banco, depois de, no ano passado, essa “limpeza” ter levado a entidade que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES) a registar perdas de mais de 200 milhões de euros na venda de duas carteiras. E a fazer um novo pedido de injeção ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital.

De acordo com o relatório e contas para 2018, divulgado recentemente pelo Novo Banco, o projeto Nata e Viriato geraram perdas de 110,1 milhões e 159 milhões de euros, respetivamente, totalizando 269,1 milhões de euros. Na primeira operação, estavam em causa duas parcelas: uma de 550 milhões de euros e outra de 1,2 mil milhões de euros de crédito malparado. Já a segunda incluiu a venda de 9.000 imóveis à Anchorage Capital.

Apesar de estas operações melhorarem os balanços dos bancos, podem, no entanto, ter impacto negativo nas contas, caso haja necessidade de suprir a diferença a que os créditos estão registados no balanço e o valor a que são vendidos. E foi o que acabou por acontecer no caso do Novo Banco. Isto no ano em que a instituição financeira registou um prejuízo de 1.412 milhões de euros. Não foi recorde porque as contas do ano anterior foram reexpressas, tendo o saldo de 2017 disparado para mais de dois mil milhões de prejuízos. Perante as perdas avultadas, e tendo em conta o forte impacto nos rácios de capital do Novo Banco, a instituição solicitou de imediato uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução, entidade que pertence à esfera do Estado e é gerida pelo Banco de Portugal. Esse pedido está pendente de uma certificação pedida tanto pelo Fundo como pelo ministro das Finanças.

Vendas podem alcançar os 4 mil milhões de euros

Este ano, o cenário poderá repetir-se, numa altura em que o banco volta a acelerar a venda destes ativos tóxicos. De acordo com a Bloomberg, o Novo Banco está à procura de compradores para dois portefólios de crédito malparado, cujo montante total supera os 3,5 mil milhões de euros. Mas, conforme apurou o Negócios, a este montante podem vir a juntar-se outras vendas, elevando o valor para perto de 4 mil milhões de euros este ano. Um dos portefólios referidos pela agência ascende a três mil milhões de euros, de dívida garantida e não garantida de empresas, o que poderá corresponder a uma das vendas de malparado mais elevadas de sempre em Portugal. Fontes revelaram ainda à agência de notícias que o banco liderado por António Ramalho está à espera de receber propostas não vinculativas do portefólio de 3.000 milhões de euros, apelidado de projeto Nata 2, até 17 de abril, prevendo terminar a operação em junho. Nesta corrida, refere a Bloomberg, está a Cerberus Capital Management, mas também a KKR e a Bain Capital, tal como o Eco já tinha avançado.

Com esta aposta, o Novo Banco conta baixar o rácio de NPL (“non-performing loans”, ou crédito malparado) para os 12% este ano, em comparação com os 22,4% registados no final do ano passado e aproximando-se da média do sistema financeiro nacional de 9,4%. Para tal, o banco terá de continuar a vender, num esforço que tem sido transversal a todos os bancos portugueses.

Segundo os dados do Banco de Portugal referentes ao ano passado, e apesar de a tendência ser de descida, o total de crédito nestas condições ainda é de 25,8 mil milhões de euros.

Números

Limpar balanço, mas registar perdas
O Novo Banco continua a vender malparado para “limpar” o balanço. Mas estas vendas têm impacto nos resultados.   
4.000
Vendas
As vendas de crédito malparado e imóveis do Novo Banco podem alcançar, este ano, os 4 mil milhões de euros.

269,1
Perdas
A venda das carteiras designadas de Nata e Viriato provocou perdas de 269,1 milhões de euros ao Novo Banco.

1.149 
Injeção de capital
A “limpeza” de malparado em 2018 levou o banco a pedir uma nova injeção ao Fundo de Resolução, de 1.149 milhões.

Salgado quer independente a analisar contas do BES

Abril 12th, 2019

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Negócios

A defesa do ex-banqueiro quer um parecer independente às contas de 2014 da instituição, para provar que, se o Banco de Portugal não tivesse exigido provisões tão elevadas, a resolução da BES não teria sido necessária.

Ricardo Salgado insiste na tese de que foram as exigências injustificadas do Banco de Portugal (BdP) que levaram ao colapso do Banco Espírito Santo (BES) e quer prová-la no processo de insolvência do banco, no âmbito do qual é apontado como o principal responsável pela queda da instituição. Para isso, pediu ao Tribunal do Comércio de Lisboa que nomeie um perito independente para analisar as contas do banco à data de 30 de junho de 2014, pouco mais de um mês antes de ter sido aplicada a medida de resolução.

O requerimento consta da oposição que o antigo presidente do banco apresentou contra a qualificação de insolvência feita no ano passado pela comissão liquidatária do BES, que aponta para 13 culpados pela insolvência do banco, com Ricardo Salgado à cabeça. Na oposição que deu entrada no tribunal, o ex-banqueiro nega qualquer culpa pela insolvência, um desfecho que atribui ao BdP, e rejeita também responsabilidades pela emissão de papel comercial e pela concessão de financiamento a sociedades do Grupo Espírito Santo (GES).

No entender de Salgado, “quanto mais o BdP bater” no antigo banqueiro, “seja diretamente em processos de contraordenação, seja através da comissão liquidatária, mais facilmente pode justificar a resolução e atirar culpas” para cima dos 13 antigos gestores considerados como os responsáveis pela insolvência do banco. Isto porque, defende, se o regulador não tivesse exigido a constituição de provisões que considera demasiado elevadas, os rácios de capital do BES não teriam caído abaixo dos mínimos requeridos e o banco poderia ter mantido a atividade, em vez de ser alvo de uma resolução.

A tese não é nova. Em 2017, Salgado já tinha apresentado um parecer, feito por João Carvalho das Neves, professor do ISEG e membro do conselho geral e de supervisão da EDP, que concluía, precisamente, que os prejuízos históricos de 3.577 milhões de euros registados pelo BES no primeiro semestre de 2014 ficaram a dever-se ao nível de provisões imposto pelo BdP para cobrir perdas com a garantia estatal do BES Angola, com a exposição às cartas-conforto a entidades venezuelanas e com o papel comercial emitido por empresas do GES. Contudo, este parecer foi encomendado pelo próprio Ricardo Salgado.

A defesa do antigo banqueiro quer agora um novo parecer, em tudo semelhante ao que já foi feito, mas que, desta vez, seja realizado por um “perito único independente”, nomeado pelo tribunal. Ao que o Negócios apurou, a defesa aguarda pela resposta do tribunal, que só deverá chegar a partir de junho.

Portugal: Fundo avança em tribunal contra 58 antigos gestores do BES e do GES

Abril 10th, 2019

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Económico

O fundo que representa os lesados do Banco Espírito Santo (BES) avançou no dia 28 de março com 58 ações judiciais, no valor global de 30 mil milhões de euros, contra um conjunto de antigos gestores do banco falido e do Grupo Espírito Santo (GES), bem como antigos membros dos órgãos de fiscalização que responsabiliza pela queda da instituição em 2014, revelou ao Jornal Económico fonte próxima ao processo.

Na lista dos visados que o fundo dos lesados responsabiliza pela queda do BES, que consta do portal Citius, estão todos os administradores executivos e não executivos do BES, incluindo Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Joaquim Góis, António Souto, Rui Silveira, José Manuel Espírito Santo e Rita Cabral. Somam-se ainda antigos gestores da ESI e Rioforte como António Ricciardi, Bernardo Moniz da Maia, Patrick Monteiro de Barros, José Castella (o controller financeiro do GES), Rui Patrício e Francisco Machado da Cruz, o contabilista da ESI. E também os ex-gestores do Best e do Banco Espírito Santo Açores (BAC).

“As acções de responsabilidade solidária deram entrada na quinta-feira, 28 de março, no Juízo Central Cível de Lisboa”, revelou ao Jornal Económico fonte próxima do Fundo de Recuperação de Créditos de clientes do BES, o veículo que foi criado para indemnizar os dois mil lesados do banco falido.

Segundo a mesma fonte, “os réus foram membros dos conselhos de administração e dos órgãos de fiscalização da ESI, Rio Forte, BES, BEST e BAC nos períodos de 2011 a 2014”, dando conta que o valor individual de cada acção é de 514,2 milhões de euros (valor das perdas dos lesados em papel comercial da ESI e Rioforte, mais juros).

Para uma segunda fase estão previstas mais acções contra os auditores (KPMG e EY), o antigo banco de investimento da família Espírito Santo (BESI) – actual Haitong -, bem como pedidos de indemnização a seguradoras estrangeiras, por via dos seguros contratados pelos gestores do BES.

 

Responsáveis pela liquidação do BES exigem 14 milhões a 15 antigos administradores

Abril 10th, 2019

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SIC com som

Acusam-nos de terem cometido irregularidades antes da resolução.

Apontam ainda o dedo à Goldman Sachs, que acusam de ter ignorado a “insolvência iminente” do banco.

Goldman Sachs diz que se conhecesse situação do BES não teria emprestado dinheiro

Abril 10th, 2019

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SIC com som

Responsáveis pela liquidação do BES querem recuperar valor dos juros e das comissões que o banco pagou à Goldman Sachs.

Os responsáveis pela liquidação do Banco Espírito Santo exigem 14 milhões de euros a antigos administradores do banco por terem cometido irregularidades antes da resolução. Acusam ainda a Goldman Sachs International, que emprestou dinheiro ao BES um mês antes da resolução, de ter ignorado a insolvência iminente do banco.

A Goldman Sachs International já reagiu, contesta e garante que se conhecesse a situação do banco não teria emprestado o dinheiro.

Novo Banco à espera do Fundo de Resolução para vender malparado em Espanha ao fundo Waterfall

Abril 8th, 2019

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Eco

Novo Banco à espera do Fundo de Resolução para vender malparado em Espanha ao fundo Waterfall

António Ramalho está à espera de luz verde do Fundo de Resolução para fechar venda do projeto Albatros em Espanha, uma carteira de ativos tóxicos no valor de 400 milhões de euros.

Novo Banco está somente à espera da autorização do Fundo de Resolução para vender uma carteira de malparado no valor de 400 milhões de euros em Espanha ao fundo norte-americano Waterfall.

A conclusão da operação está dependente do Fundo de Resolução, liderado por Luís Máximo dos Santos, já que é a entidade que vai assumir as perdas com a alienação dos ativos do Albatros, de acordo com o jornal espanhol El Confidencial, que adianta que o banco já tem um acordo apalavrado com o fundo Waterfall.

Segundo o jornal espanhol, a carteira “Albatros” inclui créditos imobiliários e créditos de grandes empresas que foram concedidos pelo antigo BES Espanha, devendo corresponder entre 15% a 20% do tamanho do Novo Banco naquele mercado.

A operação de venda está a ser liderada pela Alantra, sociedade espanhola que tem como partner Rita Barosa, e que tem assessorado o banco de António Ramalho noutras transações semelhantes. O banco conta ainda com o apoio da auditora KPMG. A venda deverá concluir-se no terceiro trimestre.

Salário do presidente do Novo Banco aumenta 16% em 2018

Abril 8th, 2019

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Salário do presidente do Novo Banco aumenta 16% em 2018

O Novo Banco atribuiu um salário de 382,4 mil euros ao seu presidente, António Ramalho, no ano passado, o que corresponde a um aumento de 16% face ao ano anterior.

Novo Banco atribuiu um salário de 382,4 mil euros ao seu presidente, António Ramalho, no ano passado, o que corresponde a um aumento de 16% face ao ano anterior, mostra o relatório e contas da instituição divulgado esta sexta-feira. Deste salário, António Ramalho recebeu efetivamente 349,1 mil euros, sendo que 33 mil euros vão ser pagos posteriormente.

Dentro do conselho de administração executivo do Novo Banco, o CEO foi o mais bem pago. Seguem-se a administradora Luísa Matos (259 mil euros), os administradores Vítor Fernandes e Jorge Cardoso (258,8 mil euros) e ainda os administradores José Eduardo Bettencourt (252,5 mil euros), Rui Fontes (251,2 mil euros) e Luís Ribeiro (76,5 mil euros). Este último iniciou funções e setembro.

No total, o conselho de administração executivo obteve uma remuneração total de 1,74 milhões de euros. 

á o presidente do conselho geral e supervisão, Byron Haynes, recebeu 375 mil euros. Tratou-se de um aumento de 400% face a 2017, porque só foi contabilizado os meses após a venda, em outubro desse ano. O vice-presidente daquele órgão, Karl-Gerhard Eick, auferiu uma remuneração de 250 mil euros. O banco salienta que “no que se refere a Órgãos de Administração e de Fiscalização não foram pagos nem atribuídos quaisquer valores referentes a bónus em 2018”.

Em 2018, o Novo Banco registou prejuízos de 1.412 milhões de euros, e vai pedir uma compensação financeira de 1.150 milhões de euros ao Fundo de Resolução ao abrigo do mecanismo de capital contingente acordado com o Governo aquando da venda de 75% da instituição ao fundo Lone Star.