Ramalho cria equipe para gerir soluções de capital do Novo Banco e quer comissão executiva

Citamos

Económico

O CEO do NB quer alterar os estatutos e escolher um modelo de governance que terá uma equipa de administração não executiva e uma comissão executiva, esta composta por sete elemento. Veja aqui a carta de António Ramalho aos colaboradores do Novo Banco na integra.

O novo presidente do Novo Banco dirigiu uma carta aos colaboradores. De todas as mensagens destacamos que a administração do banco está a trabalhar com o Fundo de Resolução para uma solução accionista que passará por uma entrada em bolsa (IPO).

O maior accionista, neste cenário, poderia ser quem ficasse com mais acções (um figurino accionista semelhante ao dos CTT), parece transparecer das palavras do CEO do Novo Banco.

Outra novidade na carta é a proposta, que tem de ser feita ao BCE, de um modelo de governação “ajustado às novas exigências regulatórias”, que passa pela “convergência das exigências de capital com os outros bancos nacionais e ibéricos”. Nesse sentido já foram apresentados novos estatutos ao BCE, e já foram fixados os perfis que completarão selectivamente a Comissão Executiva e aguarda-se a definição dos administradores independentes.

Segundo o Económico sabe a proposta consiste em ter sete administradores executivos (à semelhança da CGD).

Fontes admitem que José Bettencourt que entrou no Novo Banco pelas mãos do anterior presidente do Novo Banco, Eduardo Stock da Cunha como chefe de gabinete do presidente, possa passar a administrador, mas a informação não foi confirmada.

Finalmente um terceiro ponto importante na carta, é que o side bank pode ser transferido para um side bank de toda a banca nacional, de que há muito se fala no governo e Banco de Portugal. “Somos o banco mais avançado na separação conceptual dos seus activos supérfluos através do conceito de “side Bank” o que nos permitirá beneficiar de quaisquer instrumentos que, no futuro, se poderão criar para endereçar esse problema comum à Banca portuguesa e europeia”, diz António Ramalho.

A notícia da carta foi avançada pelo Jornal de Negócios.

Eis a carta obtida pelo Económico na integra:

“Faz hoje um mês que tomei posse como CEO do Novo Banco. Desde essa data elegi três prioridades como essenciais a esta fase do nosso Banco.

A primeira assenta numa nova responsabilidade na gestão do capital que envolve o Management na resolução do problema accionista que ainda nos afecta. Nesse sentido, continuamos a apoiar intensamente o Fundo de Resolução na venda directa, estamos em vias de terminar os trabalhos essenciais à preparação de um eventual IPO para Institucionais e criámos uma equipe designada CPO-Capital Project Office para desenvolver e apresentar várias soluções de capital, alternativas e complementares ao processo em curso.

A segunda, mais lenta mas mais importante no longo prazo, consiste no estudo de uma solução comercial para o futuro, que terá, na digitalização e na relação de proximidade aos clientes, os seus maiores desafios. Menos visível já existe uma equipe a trabalhar alguns temas específicos para assegurar o arranque rápido desta iniciativa.

A terceira consiste na definição de um modelo de governação ajustado às novas exigências regulatórias, assegurando a convergência das exigências de capital com os outros bancos nacionais e ibéricos e o aumento da nossa reputação bancária essencial à nossa actividade comercial. Nesse sentido já foram apresentados novos estatutos ao BCE, já foram fixados os perfis que completarão selectivamente a Comissão Executiva e aguarda-se a definição dos administradores independentes.

Todas estas iniciativas realizadas num mês têm sido explicadas em diversas reuniões na rede de retalho, na rede private e na rede empresas. Mas neste mês também se notou uma renovada atenção dos actuais concorrentes à compra directa do nosso Banco, bem como um novo interesse por novos investidores potenciais em ambiente de IPO.

Não existe assim, objectivamente, nenhuma razão, para que o Banco não encontre um ou vários accionistas neste processo de venda em curso, nesta ou noutra modalidade. Temos todos consciência que esta operação, sendo realizada da melhor forma possível nas actuais condições de mercado, contribuirá, quer para um futuro desafiante para o nosso Banco, quer para a estabilização de todo o sistema financeiro português.

Sabemos que ainda surgem esporadicamente, ainda que de forma cíclica, ideias vagas sobre a divisão do Novo Banco. Mas, hoje tais ideias não são credíveis porque estão desactualizadas.

E estão desactualizadas porque o Banco tem estado na primeira linha do desinvestimento em actividades não “core”.

Primeiro pelo exemplo da venda de activos como o BESI ou mais recentemente os processos de venda do NB Asia e BES Venetie, que contribuem para recentrar o Banco na sua actividade doméstica antecipando o que outros tenderão a fazer.

Segundo, porque somos o Banco mais agressivo na venda de património imobiliário estimando atingir vendas superiores a 500 Milhões de Euros ainda neste ano.

Terceiro, porque somos o banco mais avançado na separação conceptual dos seus activos supérfluos através do conceito de “Side Bank” o que nos permitirá beneficiar de quaisquer instrumentos que, no futuro, se poderão criar para endereçar esse problema comum à Banca portuguesa e europeia.

 

 

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