Ricciardi prefere Novo Banco nacionalizado

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Para o antigo banqueiro, é preferível que o Novo Banco passe temporariamente pelas mãos do Estado a ser vendido a fundos abutre que o poderão comprar e vender aos bocados.

José Maria Ricciardi prefere o Novo Banco nacionalizado a vê-lo entregue a fundos abutre que o vão comprar para, eventualmente, vender aos bocados. A solução vai ao encontro do interesse público, dada a importância que o NB tem no crédito às pequenas e médias empresas, sustenta.

No mesmo dia em que o Banco de Portugal anunciou ter escolhido o fundo norte-americano Lone Star para negociar a venda do NB, o ex- presidente do BESI e do Haitong Bank deu uma entrevista à Sic Notícias para se aliar às vozes que, como Francisco Louçã, criticam a entrega do banco a “fundos abutre” e defendem a alternativa da nacionalização.

Contudo, a nacionalização na versão Ricciardi seria temporária, à luz do que aconteceu por exemplo no Reino Unido nos casos do Lloyds e do Royal Bank of Scotland, em que o Estado entrou o tempo necessário para estabilizar as instituições financeiras e está lentamente a desfazer-se do capital, à medida que as condições do mercado estabilizam.

Esta seria a melhor solução para os contribuintes e para a economia portuguesa em geral, diz Ricciardi, explicando porquê: “Eu acho que é melhor o banco ser nacionalizado, porque o Novo Banco que advém de outro banco que era o BES, tem uma função extremamente importante na economia portuguesa. É, não digo o único, mas um dos principais bancos no financiamento das PME”.

A venda a qualquer um dos fundos que estão na corrida pelo NB é vista com maus olhos pelo antigo banqueiro devido à própria natureza do negócio destes investidores: “Acho que seria muito grave que se deixasse o banco enveredar por um caminho, ou ter um conjunto de investidores — que eu não tenho a certeza, portanto com as devidas salvaguardas — cuja intenção é ir vender o banco aos bocados, passo o termo”.

De modo mais directo, Ricciardi quer “evitar um investimento abutre que retalhe os activos” do Novo Banco.

Esta quarta-feira à noite, o Banco de Portugal anunciou ter recomendado ao Governo a venda do NB ao fundo norte-americnao Lone Star, por ser a que “mais assegura” a “estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança no futuro do Novo Banco”. A decisão não é, contudo, definitiva, já que o fundo “apresenta condicionantes, nomeadamente um potencial impacto nas contas públicas, que se procurarão minimizar ou remover no aprofundamento das negociações que agora se inicia”. Ou seja, a Lone Star quer um aval público, que o Governo quer evitar.

A palavra final caberá ao Governo, tendo Mário Centeno tido já oportunidade de afirmar que, até ao encerramento do processo, nenhum cenário está excluído. Nem o da nacionalização.

 

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