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Expresso
Novo Banco é para vender
O PCP veio falar em nacionalização. O PS ainda admitiu, mas o Governo garante que é mesmo para “recolocar no mercado”
O Governo garante que há de encontrar a melhor solução para o Novo Banco. Com calma e sem se deixar afetar por quaisquer pressões, venham de onde vierem. Na semana em que o primeiro administrador do Novo Banco (Vítor Bento) admitiu a nacionalização, e o PCP aproveitou o debate do Orçamento do Estado para pôr a hipótese em cima da mesa, fonte oficial do Governo assegura ao Expresso: “Tratámos de obter a prorrogação do prazo de venda até agosto de 2017 para não estarmos pressionados a decidir.
Há várias soluções, escolheremos a que melhor sirva os contribuintes e o financiamento das empresas portuguesas.”
O ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, corrobora esta informação: “A estratégia de venda apressada é errada, mas é preciso encontrar melhores condições de mercado, no que pode ajudar o caminho de estabilização da economia. O Novo Banco é um banco público, com natureza de transição e a tarefa é recolocá-lo no mercado”, afirma ao Expresso.
Já o deputado socialista Eurico Brilhante Dias introduz outra perspetiva: “Não sei qual seria a solução jurídica para fazer uma nacionalização”, adverte. “O Novo Banco está sob supervisão do BCE, ao abrigo do mecanismo de resolução, se tiver que ter capitalização, esta será pública e em bail in”, acrescenta. O facto de João Galamba ter admitido a hipótese de nacionalização (em último recurso) até é, na sua opinião, um bom argumento para impedir propostas de compra ao desbarato. Um banco não pode ser vendido a qualquer preço, acrescenta, no que é a posição prevalecente no PS.
O sector financeiro, por sua vez, não vê como seria possível a nacionalização. Isto porque a medida de resolução aplicada ao BES dividiu o banco em dois, e o Novo Banco é um banco de transição cujo fim é a sua venda total ou por áreas de negócio. “A nacionalização do Novo Banco teria de ser muito bem negociada e só seria eventualmente aceite pelas instâncias europeias se a segunda tentativa de venda fracassasse”, afirmou ao Expresso fonte do sector financeiro. Além disso, adverte outra fonte: “A haver uma nacionalização, a questão que se coloca é se os €3,9 mil milhões injetados no antigo BES, em agosto de 2014, através de um empréstimo garantido pelo Tesouro ao Fundo de Resolução, teriam de ser pagos aos bancos que contribuem para o mesmo.” E se assim fosse “isso poderia ter um impacto negativo na dívida e no défice”(Economia P8).
Luísa Meireles com Isabel Vicente lmeireles@expresso.impresa.pt