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Deutsche Bank: BPI e Santander Totta são “favoritos” à compra do Novo Banco

Sexta-feira, Janeiro 16th, 2015

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Jornal de Negócios

Os analistas do banco alemão apontam que o tanto o BPI como o Santander poderão dobrar a sua quota de mercado actual dos 10% para os 20% com a compra do Novo Banco.

A venda do Novo Banco (NB) atraiu grande interesse, com 17 investidores a demonstrar o seu interesse na primeira fase.

O vencedor vai ser anunciado em Julho e o BPI e o Santander estão entre os favoritos à sua compra, aponta o Deutsche Bank numa nota divulgada esta sexta-feira, 16 de Janeiro, a que o Negócios teve acesso.

“O BPI e o Santander Totta surgem como potenciais favoritos devido aos potenciais benefícios”, escrevem os analistas.

Os benefícios mencionados são os gerados devido às sinergias de custos que um banco já presente no mercado português poderá ter ao adquirir o Novo Banco. “Pensamos que o comprador mais provável já estará no mercado para gerar custos de sinergias”, apontam.

Tanto para o BPI como para o banco liderado por António Vieira Monteiro, “a aquisição do Novo Banco será transformacional, dobrando a sua quota de mercado doméstica ao mesmo tempo que geram custos de sinergia substanciais”. Actualmente, cada um detém uma quota de mercado de 10% em Portugal.

Como maior accionista do banco liderado por Fernando Ulrich (44% do capital), o espanhol La Caixa poderá financiar o negócio, podendo assim aumentar a sua fatia no BPI.

Já o Santander tem dinheiro fresco na mão. A instituição espanhola realizou recentemente um aumento de capital no valor de 7,5 mil milhões de euros, aumentando assim o seu rácio Core Tier 1 para 9,7%. “Acreditamos que este é um ponto de partida mais favorável para aquisições relevantes, apesar de esperarmos que qualquer aquisição seja neutra em termos de rácio de capital”.

“Assim, vemos o aumento de capital do Santander como marginalmente positivo para a venda potencial do Novo Banco este ano, assim como para o sector da banca português”, sublinham.

Ao mesmo tempo, o Deutsche Bank destaca que o banco liderado por Stock da Cunha também pode vir a ser comprado por um investidor que pretende fazer uma entrada estratégica no mercado da banca nacional, como os chineses da Fosun.

Além do Santander, há mais bancos espanhóis na jogada. O Popular e o BBVA já estão presentes no mercado nacional e o Sabadell tem uma fatia de 5,5% no BCP.

Contudo, os analistas têm dificuldades em ver o Banco Popular capaz de “executar uma transacção com esta relevância, baseado nos custos de sinergia mais baixos e na limpeza da qualidade de activos em Espanha”.

O banco Sabadell é outro potencial comprador “mas tem uma pequena presença em Portugal, além da fatia no BCP”. Por seu turno, o BBVA está a proceder à redução da sua operação portuguesa (2% de quota de mercado) que está em perda nos últimos anos”.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

(Fim de citação)

BPI cai vertiginosamente

Quarta-feira, Dezembro 17th, 2014

Citamos:

Jornal de Negócios

As acções do BPI fecharam a sessão a cair mais de 13%. Esta foi a maior queda diária desde que as acções negoceiam em bolsa. A pressionar as acções está a exposição a Angola e o interesse no Novo Banco.

As acções do BPI afundaram 13,05% para 1,086 euros, tendo chegado a perder um máximo de 16,57% para 1,042 euros, o que corresponde ao valor mais baixo das acções desde Outubro de 2013. A queda das acções do BPI esta quarta-feira foi a mais pronunciada desde que as acções se estrearam em bolsa (1994).

 

Com a queda desta quarta-feira, 17 de Dezembro, o BPI acumula já regista perdas no acumulado do ano (-10,28%), com a capitalização bolsista a recuar para 1,59 mil milhões de euros.

 

Este comportamento bolsista foi acompanhado de uma elevada liquidez, tendo trocado de mãos mais de 8,37 milhões de títulos, o que compara com os 3,11 milhões negociados em média por dia nos últimos seis meses.

 

A queda das acções do banco surge depois de na terça-feira, 16 de Dezembro, à noite ter sido emitido um comunicado onde o BPI dá conta que a partir de 2015, vai ter de mudar a forma como tem vindo a contabilizar, nos rácios de capital, o seu banco em Angola, o BFA (onde tem 50,1% do capital).

 

Uma alteração que vai penalizar os rácios de capital do banco de forma significativa. Considerando a nova forma de contabilização que o BPI terá de seguir em relação a Angola, o rácio Common Equity Tier 1 (segundo regras transitórias) cairia dos 12,5%, contabilizados em Setembro último, para os 10,7%. Já o rácio Common Equity Tier 1 “fully implemented” (com a inclusão de todas as regras), que em Setembro deste ano era de 9,8%, desceria a partir de 2015 para os 8,9%.

 

“O BPI está a ser afectado pela alteração no tratamento contabilístico do BFA, que poderá levar o banco a diluir o capital para reforçar os rácios”, explica Steven Santos ao Negócios. “A alteração na contabilização do banco em Angola, o principal motor internacional do grupo, acrescenta um factor de incerteza do qual os investidores não estavam à espera, acrescenta o gestor da XTB.

 

Uma posição partilhada por João Queiroz. O responsável pela sala de mercados da GoBulling atribui o desempenho negativo das acções do BPI “a uma questão de sector bancário europeu e o tema do BCE ‘aconselhar’ uma limitação da sua exposição a Angola”. A preocupação que os investidores estão a traduzir nas acções demonstra “uma incerteza que se pode reflectir, sobretudo, pela possível relevância nos seus resultados”.

 

“Este desenvolvimento em relação a Angola traz receios de eventuais necessidades adicionais de capital e leva os investidores a questionar como vão ficar os rácios do banco”, afirmou à Reuters o analista do Banco Big, João Lampreia, acrescentando que “a situação do sector financeiro em Portugal estava já desafiante e esta é mais uma acha para a fogueira”.

 

Esta alteração resulta de novas regras impostas pela Comissão Europeia, que levaram a exposição indirecta do BPI ao Estado angolano e ao Banco Nacional de Angola a exceder em mais de 3 mil milhões de euros o limite dos grandes riscos imposto.

 

O BPI informou ontem que terá de “adoptar as medidas necessárias ao cumprimento do limite dos grandes riscos”. É para essa tomada de decisões que o BCE dará um “prazo adequado”, depois de ter rejeitado a proposta do BPI (Fernando Ulrich propunha a contabilização do BFA pelo método de equivalência patrimonial, dado que, defende o comunicado, mesmo no caso de uma catástrofe na economia angolana, a exposição máxima do banco a Angola seria de 394 milhões de euros.

 

Interesse no Novo Banco

 

A queda das acções surge também depois da instituição liderada por Fernando Ulrich oficializa o interesse na compra do Novo Banco. 

“O conselho de administração do Banco BPI, tendo presente a divulgação do anúncio e dos termos e referência do procedimento relativo à alienação do Novo Banco, que prevêem como primeira fase do mesmo a ‘Fase de Manifestações de Interesse’, deliberou que o Banco BPI se apresente a essa primeira fase, entregando a correspondente Manifestação de Interesse”, indica o comunicado emitido esta terça-feira, 16 de Dezembro, através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

Albino Oliveira, analista da Fincor, também em declarações à Reuters afirmou que será a “notícia da queda deste rácio de capital do BPI que está a ter um impacto negativo no título, até porque a formalização do interesse no Novo Banco já era esperada e, de certa forma, vista como positiva, pois permite ao banco consolidar quota de mercado doméstico”.

 

“Não acredito que a oficialização do interesse na compra do Novo Banco justifique uma desvalorização tão acentuada do BPI, uma vez que era largamente conhecido do mercado e poderá levar o banco a assumir-se como o líder em Portugal”, frisa Steven Santos ao Negócios.

 

Conforme estipulado no caderno de encargos quando arrancou o processo de venda, no início de Dezembro, os potenciais interessados têm até às 17 horas do próximo dia 31 de Dezembro para se tornarem potenciais compradores. A 16 de Dezembro, o BPI decidiu, em reunião de administração, entregar essa manifestação de interesse. Fê-lo, portanto, 15 dias antes do final do prazo.
(Notícia actualizada às 16h45 com valores de fecho)

BPI desliza mais de 5% após oficializar interesse no Novo Banco (act.)

Quarta-feira, Dezembro 17th, 2014

Fernando Ulrich, presidente do BPI

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As acções do BPI estão a deslizar mais de 3%, numa reacção ao anúncio de interesse do banco liderado por Fernando Ulrich, no Novo Banco. As acções recuam assim para níveis idênticos aos observados na semana que seguiu à resolução do BES, avança hoje o Jornal de Negócios.

Citação

Jornal de Negócios

As acções do BPI descem 3,92% para 1,20 euros, tendo já perdido 5,52% para 1,18 euros, o que corresponde ao valor mais baixo desde a primeira semana de Agosto, marcada pela resolução do BES, que deu origem à criação do Novo Banco.

 

Com a queda desta quarta-feira, 17 de Dezembro, o BPI acumula já uma descida desde o início do ano de 2%.

 

A queda das acções do banco surge depois de na terça-feira, 16 de Dezembro, à noite ter sido emitido um comunicado, em que a instituição liderada por Fernando Ulrich oficializa o interesse na compra do Novo Banco. 

 

“O conselho de administração do Banco BPI, tendo presente a divulgação do anúncio e dos termos e referência do procedimento relativo à alienação do Novo Banco, que prevêem como primeira fase do mesmo a ‘Fase de Manifestações de Interesse’, deliberou que o Banco BPI se apresente a essa primeira fase, entregando a correspondente Manifestação de Interesse”, indica o comunicado emitido esta terça-feira, 16 de Dezembro, através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

Conforme estipulado no caderno de encargos quando arrancou o processo de venda, no início de Dezembro, os potenciais interessados têm até às 17 horas do próximo dia 31 de Dezembro para se tornarem potenciais compradores. A 16 de Dezembro, o BPI decidiu, em reunião de administração, entregar essa manifestação de interesse. Fê-lo, portanto, 15 dias antes do final do prazo.

 

(Notícia actualizada às 8h50 com mais informação)

 

Ulrich admite que BPI está a estudar compra do Novo Banco

Quarta-feira, Outubro 8th, 2014

O BPI está neste momento a estudar a eventual entrada no processo para a compra do Novo Banco, admitiu hoje (08-10-2014) o presidente executivo da instituição, Fernando Ulrich, citado pelo Dinheiro Vivo

“Penso que é um dever profissional de quem tem uma equipa executiva de um banco que está a operar no mesmo mercado e que tem uma dimensão que lhes permite encarar esta oportunidade [de compra do Novo Banco], como é o caso do BPI, estudar o que essa oportunidade pode representar”, afirmou Fernando Ulrich aos jornalistas, à saída da cerimónia de entrega dos prémios BPI Sénior, em Lisboa.

Segundo uma fonte contactada pelo Dinheiro Vivo, o interesse do BPI é “absolutamente normal, como será o do Santander Totta, o do BBVA, o de outros bancos estrangeiros e até de outros grupos que tenham interesse em entrar no negócio da banca”. Agora, adianta o mesmo responsável, uma coisa é admitir o eventual interesse e outra é concretizar esse interesse através de uma proposta de compra.

Existem ainda muitos passos a dar antes de ser possível concretizar o que quer que seja. Em primeiro lugar, o Novo Banco não tornou público, ainda, qualquer balanço da sua atividade, nem apresentou contas. Por outro lado, ainda não são conhecidos os resultados das auditorias encomendadas pelo Banco de Portugal, nomeadamente a da PwC, que será determinante para que os potenciais interessados possam ter uma ideia sobre o que se passa, realmente, na instituição e sobre qual pode ser o seu valor.

Ulrich prepara-se para engolir os lucrativos despojos do saque do Grupo GES/BES

O BPI na pole position da corrida ao Novo Banco

Segunda-feira, Setembro 29th, 2014

Citamos:

Alguém contesta isto?

O BPI posiciona-se na “pole position” para o que se afigura ser um plano de “asset stripping” do NOVOBANCO. Feito com punhos de renda e linguagem gongórica mas o equivalente à partilha dos bens pilhados numa qualquer guerra medieval.

Os bancos pagantes para o Fundo de Resolução quererão o seu lugar à mesa das partilhas. A sua posição de “break-even” estará nas sinergias que obtenham de uma qualquer fatia do NOVOBANCO que consigam negociar, assegurando-se que esse valor de sinergia seja pelo menos igual ao da sua contribuição para o Fundo de Resolução.

Umas contas globais “quick and dirty” mostram que o sistema financeiro português absorverá as percas com o NOVOBANCO com alguma facilidade. Supondo que o NOVOBANCO se vende por uns € 3 mil milhões, isto significará uma perda de € 2 mil milhões para o sistema, dos quais € 1 mil milhões já foram contribuídos e os restantes poderão ser amortizados em 10 anos. Em resumo, a CGD e o BCP, por exemplo, teriam um impacto médio anual na sua conta de exploração de uns € 25 a 30 milhões antes de impostos. Isto será largamente compensado pelo efeito de subida de margens originado no corte de capacidade do sistema ligado à fusão do BES. Como já expliquei a Resolução do BES foi uma bênção dos céus para o sistema financeiro português.

Diz o Povo que “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem Arte” e portanto caberá ao BPI dar as cartas na distribuição de ativos reservando para si, espero eu, a parte de leão.

O “inner circle” de José Maria Ricciardi quando se referia a Fernando Ulrich nas conversas da Alta Direção do GES expressava, com a sua mania de anglicismos e alguma maldade, as suas iniciais – FUL. Em Inglês FUL soa o mesmo que “fool” e era assim mesmo que Ulrich era apreciado nessas Altas esferas do GES – “o tonto do Ulrich”. Só que será Ulrich quem se rirá por último e Ricardo Espírito Santo Silva vai mesmo revirar – se no túmulo ao ver o seu BES dizimado.

A fusão do BPI com o NOVOBANCO coloca uma exigência de escrutínio à própria estratégia de crescimento do BPI que largamente tem escapado aos Media.

Será o BPI o melhor dono para os ativos do NOVOBANCO?

Ulrich que, creio justamente, não se considera um banqueiro, tem uma perfeita compreensão dos mecanismos dos Media e isso tem sido decisivo na preservação da “boa imprensa” sobre o BPI. Mas o teste de Litmus vai chegar em breve.

O BPI está cotado em Bolsa desde 1986, isto é há 28 anos.

A taxa anual de crescimento nominal das ações do BPI nestes 28 anos foi de 0,9% ao ano. A taxa média de inflação ao ano nestes 26 anos foi de cerca de 4,5% – o que significa que em termos reais um investidor do BPI pagou cerca de 3,5% ao ano pela enorme honra de ser seu investidor. Ou seja, um investidor inicial do BPI perdeu mais de 90% do seu capital em termos acumulados.

Num horizonte mais curto, desde o ano 2000 por exemplo, o desempenho em Bolsa do BPI é ainda mais desastroso.

Nos 14 anos desde 2000 as ações do BPI tiveram um desempenho médio anual nominal negativo de 4,5%, ou seja cerca de – 7% ao ano em termos reais. Um pensionista que investisse no BPI morreria de fome.

Evidentemente que o preço da ação não é o único indicador de desempenho de uma sociedade sobretudo no curto prazo. Mas estamos a falar de 15 ou 30 anos e neste horizonte temporal não há outra medida de valor.

É este extraordinário “track Record” de destruição de valor que permite a Artur Santos Silva e Fernando Ulrich falar alto com quem quer que seja?

Em quantos países do Mundo uma equipa de gestão com esta capacidade de criação de valor estaria ainda em funções?

O ponto é que a gestão do BPI não reponde aos acionistas mas a UM acionista – LaCaixa. De resto um excelente acionista mas que está no BPI numa situação de insuportável privilégio. E este privilégio, naturalmente, contra garante a gestão que o tornou possível.

LaCaixa comprou a posição do ITAU – ultrapassando o limiar dos 33% para o lançamento de uma OPA geral – sem que a CMVM tenha considerado necessário que o fizesse. Aliás, ainda hoje, LaCaixa tem uma posição de 46% numa empresa cotada em Bolsa sem nunca ter feito OPA. Uma posição de Carlos Tavares que qualquer observador independente internacional considerará inconcebível.

Privilégio este que, a meu ver, não vem daqui. Aquando do lançamento da OPA do BCP sobre o BPI houve uma clara concertação dos acionistas do BPI, nomeadamente LaCaixa e ITAU no sentido de frustrarem a oferta de € 7,2 por ação oferecidos pelo BCP. A CMVM – numa decisão desastrosa para os pequenos investidores – considerou que não havia concertação entre aqueles acionistas e, assim, não determinou que estes opositores tivessem que lançar uma OPA alternativa.

Como resultado do insucesso da OPA do BCP e da brutal queda das ações do BPI que se seguiu, registou-se uma destruição de valor acionista no BPI de cerca de € 6 mil milhões. Ironia das ironias um montante não muito diferente da destruição de valor da ESPIRITO SANTO INTERNACIONAL – por outras razões, bem entendido.

Mas a questão é ainda muito mais complexa porque não só a gestão do BPI não tem condições de excelência na gestão de uma rede de retalho como o próprio BPI está insolvente num rigoroso teste de stress.

O atual BPI nasceu de um excelente banco de investimento, iniciado em 1981 por Artur Santos Silva como SPI, que comprou, em 1991, o Banco Fonsecas & Burnay e depois, em 1996, numa privatização controversa, o Banco de Fomento e Exterior – o qual tinha integrado o Banco Borges & irmão. A fusão dos quatro (digo quatro porque a fusão do BFE com o BBI nunca aconteceu de fato) bancos ocorreu em Julho de 1998, dando origem à maior rede bancária do país com a marca BPI.

A compra do BFE foi contestada pelo Banco Finantia e a operação de privatização e consequente compra do BFE pelo BPI foi declarada nula pelo Supremo Tribunal Administrativo em 2001. Não obstante, nada aconteceu, e o BPI tem no seu Balanço ativos e passivos de uma operação tão importante que, afinal, não aconteceu.

Como não sou jurista não sei como explicar isto mas duvido que alguém no seu bom juízo entenda que o BPI fica bem na fotografia.

O BPI teve enorme dificuldade em fundir os quatro bancos.

Desde logo, o BPI foi cobaia no sistema informático que o seu sócio ITAU lhe impingiu, através da ITAUTEC. Custos gigantescos e problemas sérios de implementação com o sistema informático do BPI em permanente estado de CITIUS.

Depois a questão de fundo. A cultura bancária do BPI era a da banca de investimento (aliás excelente) mas faltava uma forte liderança que entendesse a banca de retalho. O ponto baixo dessa incompreensão foi a pintura em preto das agências do BPI parecendo agências funerárias. Quem se não lembra deste desastre?

As dificuldades de fusão dos quatro bancos traduziram-se numa paupérrima eficiência e, ainda hoje, passados 16 anos sobre essa fusão, o rácio de eficiência (cost/income) é muito mau por comparação nacional ou internacional.

Comparando, então, o rácio de eficiência consolidado do Banco Santander é de 46.1% e o do falecido BES era de 49.7% em 2013. O BPI, por sua vez, apresentou no dia 23 de Julho na Fundação de Serralves um rácio de eficiência de 68,3% para o primeiro semestre de 2014. Um banco de retalho não tem viabilidade com este rácio de eficiência.

Mas se os resultados em matéria de eficiência são péssimos em termos de estrutura de crédito são piores. No BPI, 64% do crédito é crédito à habitação comparado com 22% no BES e 44% no BCP. A extraordinária enfâse no crédito à habitação no BPI foi um clamoroso erro de gestão estratégica.

Para além da questão geral político-filosófica do fraco papel do BPI no financiamento da economia e das empresas em Portugal, existe o sério problema do crédito à habitação ter embutido um spread de longo prazo muito baixo (cerca de 1%) para a atual estrutura de taxas de juro. Isto é, o BPI financia-se a taxas de juro superiores a 1% de spread e portanto perde dinheiro em tudo que tenha 1% de spread.

Se a carteira de crédito à habitação do BPI fosse reavaliada no atual contexto de spread teria um Valor Económico presente fortemente negativo. Num adequado teste de stress o BPI teria que fazer uma provisão para este negativo NPV da carteira de crédito à habitação. Isto revelaria que o BPI está, neste momento, economicamente insolvente.

Vai acontecer alguma coisa ao BPI em termos de teste de stress? É óbvio que não.

No seu conjunto, custos altíssimos para fracos proveitos leva a que a atividade doméstica do BPI tenha rentabilidade negativa e só os resultados de Angola permitam salvar as aparências.

É bem verdade que em termos de liquidez a posição do BPI é muito forte com um rácio de transformação de depósitos em crédito de 94%. Isto permitiu ao BPI pagar os COCo com que o Estado o ajudou a cobrir o seu déficit de capital sem recorrer aos seus acionistas.

Fez-me sorrir a declaração de Fernando Ulrich ao Expresso de 6 de setembro passado “A única razão que levou (o BPI) a ter que recorrer a capital público foi a desvalorização da dívida soberana e em particular a portuguesa”.

De fato em 2010 – digo bem 2010 – o BPI, por decisão da sua gestão, aumentou a sua exposição à divida pública portuguesa em € 1,2 mil milhões para um total de mais de € 4 mil milhões.

Este abissal erro da gestão do BPI veio a ser salvo pela injeção de € 1,5 mil milhões de dinheiros do Estado na tal forma de CoCo. Espero que ao menos algo tenha batido na consciência de Ulrich depois dele ter clamado publicamente contra os erros de gestão de outros.

Consciência essa que deveria também esclarecer o que de facto aconteceu ao crédito de € 4,7 milhões que o BPI concedeu a Fernando Ulrich para comprar ações do BPI e que misteriosamente desapareceu das notas às contas anuais do BPI, sem qualquer explicação.

A fusão do BPI com o NOVOBANCO permitiria ao BPI resolver de uma vez os graves problemas que tem e que deixei enunciados: uma rentabilidade negativa da sua operação doméstica, fruto de custos muito altos e proveitos baixos. Por isso não estranha que o BPI tenha jogado tão forte quer no plano político quer mediático por uma venda rápida do NOVOBANCO.

Esta fusão, noutra frente e como já mencionei, serve os interesses estratégicos do sector financeiro porque atuará como redutor de capacidade e criará um oligopólio sectorial que melhorará as margens, criando “rendas excessivas” de fazer inveja a qualquer EDP. Os outros bancos ficarão particularmente agradados, ainda por cima, se puderem comprar a bom preço tranches do NOVOBANCO que lhes interessem no particular.

Um valor de venda do NOVOBANCO de € 3 mil milhões coloca, por sua vez, um prémio extraordinário em quem possa gerir o crédito de € 3.5 mil milhões do NOVOBANCO sobre o BESA. Este crédito está amortizado nas contas do NOVOBANCO e bastaria o BESA ou o BNA pagarem este crédito (o que Carlos Costa disse repetidamente que aconteceria) para uma tal compra se fazer por valor zero.

Quem em Portugal tem melhores condições para gerir este crédito com Angola? Parece-me óbvio que é o BPI e por isso será muito difícil outro candidato ultrapassar esta posição estratégica. Mas isso não se fará sem preço para a atual estrutura acionista do BPI bem entendido.

Num país normal este crédito seria esclarecido previamente e todos os candidatos fariam a sua melhor proposta para a aquisição do NOVOBANCO, maximizando o valor de venda para o Fundo de Resolução. No caso vertente, ficaria estupefacto se não houvesse uma ajuda de Estado.

Penso, sinceramente, que na sequela da crise financeira de 2008 nenhum banqueiro ou Banco está em condições de dar lições de moral à sociedade. O que deixo escrito torna claro que, a meu ver, Artur Santos Silva, Fernando Ulrich e o BPI não são exceção.

Que o BPI seja o distribuidor de jogo na imensa tragédia para Portugal deste mecanismo de Resolução mostra o quão baixo se desceu.