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Nenhum dos interessados no Novo Banco é angolano

Segunda-feira, Janeiro 5th, 2015

20150105

 

Entre as 17 entidades que manifestaram interesse, 15 deverão passar, diz o Jornal de Negócios, citado pelo jornal eletrónico Obserovador. Os interessados no Novo Banco vêm da Europa, Ásia e EUA. Não há angolanos entre os interessados.

17 entidades manifestaram interesse no Novo Banco até dia 31 de dezembro.

Observador

Só 15 dos 17 interessados no Novo Banco que manifestaram interesse até 31 de dezembro deverão passar à fase seguinte, adianta o Jornal de Negócios. Segundo o jornal, neste processo estão envolvidas entidades provenientes da Europa, daÁsia e dos EUA, ou seja, não há instituições com sede em Angola ou em outros países africanos entre os interessados.

Jornal de Negócios escreve esta segunda-feira que, entre os interessados há bancos e fundos de “private equity”. Um destes fundos será o norte-americano Apollo Global Management. A este juntam-se bancos europeus, entre os quais o BPI, o Santander Totta e o Banco Popular, entidades que já indicaram que poderão estar interessadas. Da Ásia poderá ter vindo a Fosun, a empresa chinesa que comprou a seguradora Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos.

O Banco de Portugal não divulgou, “por motivos de confidencialidade”, a identidade dos 17 interessados que entregaram candidaturas até 31 de dezembro.

As entidades a serem excluídas pelo Banco de Portugal impõe que “os potenciais compradores demonstrem deter ativos líquidos de pelo menos 500 milhões de euros ou ativos sob gestão de pelo menos 100 milhões”.

O Banco de Portugal e o BNP Paribas, banco de investimento responsável pelo processo, vão enviar, ainda esta semana, pedidos de esclarecimento às entidades em que há dúvidas sobre o cumprimento dos requisitos de pré-qualificação. A decisão sobre quais dos 17 potenciais interessados serão aceites deverá ser tomada até meados deste mês, remata o Jornal de Negócios.

 

 

Goldman Sachs sente-se defraudado com decisão do Banco de Portugal e ameaça recorrer  aos tribunais contra os critérios do BdP de resolução de “banco mau” vs. “banco Bom”

Sexta-feira, Dezembro 26th, 2014

Segundo a Goldman Sachs, “o inesperado anúncio público do Banco de Portugal no início desta semana, retroagindo estas obrigações, contraria as expectativas e a confiança do mercado e causa danos a vários investidores, incluindo fundos de pensões, aos quais esses investimentos foram colocados com base nas garantias anteriormente dadas”. Por isso, a Goldman Sachs, um dos maiores investidores institucionais do mundo, ameaça avançar para os tribunais contra a decisão tomada pelo Banco de Portugal.

Ionline

A Goldman Sachs contesta a decisão tomada esta semana pelo Banco de Portugal acerca da não transferência da responsabilidade contraída pelo BES perante a Oak Finance Luxembourg e ameaça recorrer aos tribunais para contrariá-la.

“Caso o Banco de Portugal não reconsidere a sua posição, à luz dos danos que vai causar a todos os clientes com posições neste ativo e aos mercados financeiros, todos os investidores prejudicados não deixarão de recorrer a todas as vias apropriadas incluindo as judiciais”, lê-se numa nota hoje emitida pela Goldman Sachs.

Em causa está a deliberação da entidade liderada por Carlos Costa de não transferir “a responsabilidade contraída pelo Banco Espírito Santo (BES) perante a Oak Finance Luxembourg”, anunciada na terça-feira e que tem um impacto positivo em reservas no Novo Banco de 548,3 milhões de euros.

“Quando o Novo Banco foi criado, a Goldman Sachs obteve a confirmação por parte do Banco de Portugal de que toda a dívida sénior do Banco Espírito Santo, como as obrigações Oak Finance, seriam transferidas para o Novo Banco. A 11 de agosto de 2014, um alto representante do Banco de Portugal explicitamente confirmou por escrito à Goldman Sachs a transferência dessas obrigações sénior para o Novo Banco”, realçou hoje o banco de investimento norte-americano.

“Além disso, a Goldman Sachs também pediu confirmação por escrito ao Novo Banco de que a operação Oak Finance tinha sido transferida como um dos seus passivos ao que o Novo Banco respondeu explicitamente que as obrigações Oak Finance se encontravam no seu balanço”, informou.

Por isso, de acordo com a Goldman Sachs, “o inesperado anúncio público do Banco de Portugal no início desta semana, retroagindo estas obrigações, contraria as expectativas e a confiança do mercado e causa danos a vários investidores, incluindo fundos de pensões, aos quais esses investimentos foram colocados com base nas garantias anteriormente dadas”.

Daí, a Goldman Sachs, um dos maiores investidores institucionais do mundo, ameaça avançar para os tribunais contra a decisão tomada pelo Banco de Portugal, explica o jornal, citando um artigo da agência Lusa como fonte de informação do processo.

A casa de investimento norte-americana Goldman Sachs veio hoje contestar a decisão da autoridade monetária liderada por Carlos Costa, que anunciou que o Novo Banco deixava de ter responsabilidades perante um veículo financeiro, criado no Luxemburgo, através do qual o BES contraiu uma dívida junto do Goldman Sachs em Julho deste ano.

“O Novo Banco informa que foi notificado da deliberação do conselho de administração do Banco de Portugal, de 22 de Dezembro de 2014, que determina que, com efeitos a 3 de Agosto de 2014, a responsabilidade contraída pelo Banco Espírito Santo perante a Oak Finance Luxembourg S.A. não foi transferida para o Novo Banco”, indicava o comunicado emitido no passado dia 23 de Dezembro. A decisão do regulador “tem um impacto positivo em reservas de 548,3 milhões de euros”, referia, no mesmo documento, o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha. Ou seja, a instituição que herdou os activos e passivos saudáveis do BES a 3 de Agosto livrou-se de eventuais perdas naquele mesmo valor. Recorde-se que o Banco de Portugal pode transferir activos e passivos entre o Novo Banco e o BES (o banco mau) como pretender. Esta sexta-feira, a Goldman Sachs reagiu.

“Quando o Novo Banco foi criado, a Goldman Sachs obteve a confirmação por parte do Banco de Portugal de que toda a dívida sénior do Banco Espírito Santo, como as obrigações Oak Finance, seriam transferidas para o Novo Banco. A 11 de Agosto de 2014, um alto representante do Banco de Portugal explicitamente confirmou por escrito à Goldman Sachs a transferência dessas obrigações sénior  para o Novo Banco”, refere o comunicado a que o Negócios teve acesso.

Além disso, prossegue o comunicado, “a Goldman Sachs também pediu confirmação por escrito ao Novo Banco de que a operação Oak Finance tinha sido transferida como um dos seus passivos ao que o Novo Banco respondeu explicitamente que as obrigações Oak Finance se encontravam no seu balanço”. Assim, “o inesperado anúncio público do Banco de Portugal no início desta semana, retroagindo estas obrigações, contraria as expectativas e a confiança do mercado e causa danos a vários investidores, incluindo fundos de pensões, aos quais esses investimentos foram colocados  com base nas garantias anteriormente dadas”, sublinha.

“Caso o Banco de Portugal não reconsidere a sua  posição, à luz dos danos que vai causar a todos os clientes com posições neste activo e aos mercados financeiros, todos os investidores prejudicados não deixarão de recorrer a  todas as vias apropriadas incluindo as judiciais”, remata a Goldman Sachs.

Diretor do Ionline, Luis Rosa falou em 16 de outubro de 2014, na RTP sobre a cedência do BdP a Ricardo Salgado

Informação ao mercado na sua página do banco BIG sobre o descontentamento dos fundos privados estrangeiros que querem litigar contra o Banco de Portugal, o Governador Carlos Costa, bem como contra Carlos Tavares, da CMVM.

Colapso do GES: Detetado na ESI buraco de 1,3 mil milhões de euros

Quarta-feira, Dezembro 24th, 2014

Ricardo Salgado admitiu estar à beira do abismo em dezembro de 2013

Citando

TVI24 (Jornal da Uma, II Parte, dia 24 de dezembro de 2014)

(Fim de citação)

 

 

Prémios dos submarinos: “Quisemos dificultar o acesso à informação”, admite administrador da Escom, Miguel Horta e Costa

Sábado, Dezembro 20th, 2014

20141220

Admininistrador da Escom admite ao Expresso que prémio da venda dos submarinos foi escondido nas Bahamas. “Seria complicado se se viesse a saber” do bónus à família, admite Luís Horta e Costa.

Citação

Observador

Luís Horta e Costa, administrador da Escom, admite que a empresa do Grupo Espírito Santo escondeu nas Bahamas o dinheiro dos prémios recebidos pela venda de dois submarinos ao Estado português. “Achámos que seria complicado que se viesse a saber que houve uma distribuição de bónus à família Espírito Santo”diz em declarações ao Expresso deste sábado.

A opção teve um custo de 2,1 milhões de euros, necessário para constituir um fundo secreto naquele paraíso fiscal, que depois gerisse os 27 milhões pagos à Escom pelos alemães do German Submarine Consortium em serviços de consultoria naquele processo – 21 dos quais foram prémios distribuídos entre os membros do conselho superior do GES, três administradores e um consultor. Mas tinha uma vantagem, aos olhos do administrador:

“Quisemos dificultar o acesso a essa informação e esperar por uma oportunidade para regularizarmos os impostos com melhores condições fiscais”.

Como relata o semanário, o rasto do dinheiro da Escom foi central na investigação judicial que esta semana foi encerrada, sem acusações, sobre alegada corrupção no negócios dos submarinos.

O que Luís Horta e Costa agora revela, depois de encerrado o processo judicial, é que, houve mais custos no processo, para permitir que os prémios dos gestores da empresa e da família fossem recebidos antecipadamente, pouco depois de o contrato dos submarinos com o Estado português ter entrado em vigor. Foram 940 mil euros, preço de dois empréstimos contraídos pela Escom junto do BES Cayman.

O prémio desconhecido foi para… o irmão do administrador

Luís Horta e Costa assume também que o prémio que Ricardo Salgado dizia ter de ser entregue “a mais alguém”, nas polémicas escutas reveladas das reuniões do conselho superior do GES (mas que nunca identificava), foram para o seu irmão, Miguel Horta e Costa, na época dos factos consultor da Escom.

“O dr. Ricardo Salgado sabia perfeitamente que o dinheiro era para o meu irmão. A questão é que ele achava que não lhe devíamos dar dinheiro nenhum, apesar de ter sido o Miguel Horta e Costa a trazer o negócio para a Escom.”

 

Documento do GES alertava em 2006 para bola de neve de dívida e situação insustentável

Segunda-feira, Dezembro 15th, 2014

A antecessora da Rioforte, a ES Resources, estava a caminho da falência técnica em 2006. Henrique Granadeiro era o gestor escolhido para inverter a situação

20141215

Em 2006 o GES aprovou a reestruturação da área não financeira. O plano fala em bola de neve de dívida para tapar prejuízos e cultura despesista. Granadeiro deveria executar estratégia, mas foi para a PT, revela hoje o Observador.

Citação

Observador

Perdas avultadas acumuladas, impossibilidade de recuperar o investimento realizado e efeito de bola de neve de financiamento de prejuízos, situação económica financeira insustentável a caminho da falência técnica, excesso de pessoal e cultura despesista, gestão pouco profissional e com excessivo peso de membros da família Espírito Santo.

Este diagnóstico sobre a área não financeira do GES, que seria atual na véspera do colapso do grupo, já tinha sido feito anos antes da queda num plano de reestruturação da Espírito Santo Resources, antecessora da Rioforte, elaborado por Fernando Martorell e Henrique Granadeiro, à data administradores da holding do GES e aprovado no conselho superior em 2006.

Em declarações ao Observador, Henrique Granadeiro confirma que participou no plano e que estava prevista a sua indicação para presidente executivo da Espírito Santo Resurces (ES Resources) com a missão de reestruturar a área não financeira do grupo. Mas, entretanto, foi nomeado para a presidência executiva da Portugal Telecom, substituindo nestas funções Miguel Horta e Costa, na mesma altura em que foi lançada a oferta pública de aquisição (OPA) da Sonae.

O gestor deixou de acompanhar a execução do plano da ES Resources, mas sublinha que algumas das medidas previstas foram feitas, como a venda da Portugália, embora reconheça que outras não terão sido. Granadeiro assinala que a sua passagem pela administração de uma empresa do GES durou poucos meses.

O plano foi apresentado aos membros da família numa reunião do conselho superior de 21 de abril de 2006, que deu luz verde para a sua concretização, revelam as atas deste órgão enviadas à comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão do Banco Espírito Santo e do Grupo Espírito Santo. Nessa reunião estiveram Ricardo Salgado, António Ricciardi, José Castella, Mário Mosqueira do Amaral, José Manuel Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo. Estes dois membros da família, que foram administradores do grupo e do BES, são ouvidos esta terça-feira na comissão parlamentar de inquérito.

O documento mostra que os problemas financeiros, económicos e de gestão do negócio financeiro eram anteriores à crise financeira de 2008, o que difere do argumento essencial da tese defendida pelo ex-presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, na comissão de inquérito que liga em particular o BES às dificuldades vividas nesse período. “A partir do início do novo século, e sobretudo a partir de 2007-2008, reconheço, como já o fiz publicamente, problemas de organização, de financiamento, de perfis de gestão e de controlo de um Grupo essencialmente concentrado na área financeira”, disse na sua intervenção inicial.

Salgado: plano deveria ser atacado com determinação

Em 2006, o então presidente do BES mostrou-se de acordo na generalidade com o plano de reestruturação, defendendo que devia “ser atacado com determinação”. Salgado sublinhou que se deveria ter cuidado para não prejudicar o previsto aumento de capital do banco e foi contra a venda de uma fazenda no Brasil por considerar que teria “um enorme potencial imobiliário”.

O comandante António Ricciardi, presidente do conselho superior, foi mais sensível ao dramatismo dos números, defendendo ser importante travar a “hemorragia” da ES Resources. Alertou, contudo, para os riscos de vendas apressadas e sugeriu que as medidas de redução de recursos humanos deviam ser implementadas com o “maior cuidado no sentido de não manchar a imagem do GES e de se procurar evitar o eventual aparecimento público de juízos negativos sobre a situação financeira do GES.”

O plano para a ES Resources identificava um passivo de 2,3 mil milhões de euros e prejuízos acumulados superiores mil milhões de euros até 2005. Entre os negócios considerados nestas contas, estão a Espírito Santo Viagens, Hotéis Tivoli, a Espart, fundos imobiliários, as herdades da Comporta e Reguengo, a Espírito Santo Agropecuária (em que se incluíam projetos na América Latina), as termas de Monfortinho, Águas do Vimeiro, a Portugália, Espírito Santo Saúde, Escom, entre outros.

O documento aponta para “elevados prejuízos acumulados e endividamento crescente, atingindo níveis que tornam os encargos financeiros incomportáveis”, Apesar do valor dos ativos, nas contas do BESI ser superior ao passivo, com a exceção da transportadora aérea Portugália, esta diferença iria desaparecer rapidamente “pela necessidade de financiar sistematicamente os prejuízos”.

Conclusão: “Impossibilidade de recuperar o investimento realizado e efeito ‘bola de neve’ de financiamento de prejuízos em estado avançado – entrada em falência técnica se a situação não se alterar radicalmente”.

O plano alertava ainda para um nível de custos desproporcionado, “excesso de pessoal e cultura despesista” na holding e nas empresas e para uma “gestão pouco profissionalizada com peso excessivo de elementos ligados à família dos acionistas.

É, aliás, nas áreas da gestão e do controlo que o diagnóstico interno é mais devastador: governação de topo sem regras claras e formais quanto ao papel de cada órgão e sem definição de poderes, falta de coordenação das empresas por parte da holding, grande complexidade societária – 193 empresas – o que dificulta o controlo dos negócios, problema de controlo de gestão, com orçamentos por vezes pouco fiáveis, atrasados e não debatidos nem aprovados na holding, e métodos de gestão ultrapassados.

Conclusão: “Autonomia excessiva dos negócios conduziu a uma gestão mal orientada, desresponsabilizada, sem sentido de grupo, nem sempre competente e claramente ineficaz na criação de valor para os acionistas”. Há por isso uma “necessidade urgente de reestruturar a Espírito Santo Resources para travar o efeito ‘bola de neve’.

O plano, a implementar até meados de 2007, previa a concentração nos negócios centrais do turismo, imobiliário e Escom e a venda dos restantes, onde se inclui a Portugália, as Águas do Vimeiro e as termas de Monfortinho, negócios que foram alienados. A prevista abertura de 49% do capital Espírito Santo Saúde só se concretizou este ano, o edifício em Miami e negócios agropecuários no Brasil, que estavam na lista de vendas, ainda apareciam no balanço da Rioforte em 2013.

Portugália era um “mau negócio” para o GES antes da venda à TAP

A Portugália, que foi vendida à TAP em 2006, estava à venda desde, pelo menos, 2003, de acordo com informação das atas do conselho superior. Na apresentação do plano da ES Resources logo no final de 2005, a companhia aérea do GES, os projetos agrícolas da América do Sul e Monfortinho/Vimeiro, são descritos “como maus negócios” para o grupo, tendo Fernando Martorell proposto a retoma das negociações para a venda da PGA (Portugália) à TAP, o que veio a concretizar-se.

No menu de medidas de reestruturação, estavam também a redução drástica dos custos com pessoal, recurso a outsourcing, renegociação e centralização de fornecimentos e diminuição rápida do número de empresas. A escolha de gestores “exclusivamente com base nas suas qualificações”, um limite apertado ao mais alto nível da admissão de mais colaboradores, a introdução de incentivos por resultados e um maior controlo dos resultados da gestão, eram iniciativas preconizadas.

Para além dos problemas da área não financeira do GES serem anteriores à crise de 2008, também uma auditoria da PricewaterhouseCoopers (PwC) alertou já em 2001 para o elevado risco da exposição do BES ao grupo. “Há um risco enorme na concessão e extensão de créditos inapropriados” celebrados entre o Banco Espírito Santo (BES) e o Grupo Espírito Santo (GES), refere o relatório divulgado pela RTP na sexta-feira.

Há 13 anos, a PwC já alertava para problemas graves que afetavam o banco e a holding Espírito Santo Resources, que representava “o maior risco de exposição efetiva do grupo BES”. Na época, afirmava que a exposição do banco atingia “800 milhões de euros, a 31 de dezembro de 2000″.

Afinal, de quem é a culpa do colapso do BES?

Sexta-feira, Dezembro 12th, 2014

20141212

As principais figuras do Governo, do Banco de Portugal e do GES já foram ouvidas na comissão de inquérito. O resultado é um novelo de passagem de culpas e de responsabilidades difícil de desatar, conclui esta sexta-feira a TVI24.

Citação

TVI24

Tudo o que se sabe, com toda a certeza, até agora, é que o BES colapsou e que uma medida de resolução criou o Novo Banco. Isto, tão pouco, é o que todos os envolvidos que já foram chamados à comissão de inquérito parlamentar constatam em uníssono. Isto, na verdade, era o que já se sabia antes de tantas audições.

Portanto, o que é novo? Agora que já foram ouvidas as principais figuras do Governo, do Banco de Portugal e do Grupo Espírito Santo, a quem pode atribuir-se a responsabilidade pelo colapso de um dos maiores bancos nacionais e consequente injeção de 4,9 mil milhões de euros num banco criado do zero e que será vendido brevemente?

Numa coisa, estão todos de acordo: houve desvio nas contas do GES e o BES levou por tabela com isso. Falta saber se a responsabilidade recairá só sobre o contabilista Machado da Cruz, como acusa Salgado, ou se ele terá agido sobre as ordens deste ou de algum outro superior no grupo. E, também, quando é que, efetivamente, os todo-poderosos tiveram conhecimento do problema.

Outro dado adquirido é que os cerca de três mil milhões de euros emprestados ao BES Angola, como desapareceram, resultaram num buraco que aumentou as necessidades de capital do Novo Banco que, de outra forma, precisaria de menos dinheiro. Importa saber quem é que autorizou esses créditos e porque é que a garantia dada pelo presidente angolano, para os cobrir em caso de incumprimento, afinal não serviu de nada. O problema veio para Lisboa e é o fundo de resolução que o está a pagar.

Pela amostra das audições da ministra das Finanças, do governador do Banco de Portugal, de Ricardo Salgado e do seu braço-direito e ainda de José Maria Ricciardi, a conclusão até parece fácil: todos «empurram» as culpas de uns para os outros e descartam as suas responsabilidades.


CARLOS COSTA CULPA SALGADO E O CONTABILISTA

O governador do Banco de Portugal garantiu que foi surpreendido com os prejuízos do BES no fim de julho, sobretudo com os 1.500 milhões ocultados. Nesta altura, já seria impossível recapitalizar o banco, alega que já não podia fazer nada.

Carlos Costa admitiu «esquemas fraudulentos» na área não financeira do GES, que foram revelados com as «confissões» de Ricardo Salgado e do contabilista, em entrevistas, em maio. Até aí, insistiu que só tinha «indícios de omissão».

Quanto aos últimos tempos do BES, assegurou que fez um «cerco» a Salgado para que este deixasse a administração do banco, mas não conseguiu retirar-lhe a idoneidade. No entanto, destacou que foi a sua «pressão» que afastou a família do banco. Sobre o aumento de capital do BES antes do colapso, chutou para a CMVM a responsabilidade de suspender as emissões de capital. Para poder ter feito mais, pediu mais poderes para os supervisores.

MINISTRA DAS FINANÇAS CULPA SALGADO


Maria Luís Albuquerque afirmou que «houve uma desobediência clara dentro do BES às determinações do Banco de Portugal», acrescentando que sempre lhe foi garantido pela administração de Salgado que não havia problemas no banco.

A ministra acusou os administradores do BES e o grupo de «práticas de gestão em claro incumprimento» e apontou o dedo a Ricardo Salgado, por lhe ter apresentado um plano, «algures em maio ou junho», de financiamento da CGD «para salvar o GES, ou seja, o ramo não financeiro». Pelo discurso de Maria Luís, pressupõe-se que Salgado escondeu a exposição do BES ao grupo que já existia nessa altura. Certo é que «estava completamente fora de questão» injetar dinheiro no GES.

No decurso da situação que levou ao colapso do banco, a ministra das Finanças disse que foi o Banco de Portugal que reagiu e definiu tudo e que só foi sabendo das suas decisões. Mas concorda com elas.

RICARDO SALGADO CULPA O BANCO DE PORTUGAL E O CONTABILISTA

«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer».  Para o ex-presidente do banco, o colapso seria evitável com a sua estratégia de recapitalizar a Rio Forte e se o Banco de Portugal não tivesse optado pela medida de resolução.

Alega que o Banco de Portugal fez uma espécie de ultimato, dando apenas «48 horas» para um aumento de capital, já nos últimos dias do banco. Ou seja, seria «um milagre» que isso funcionasse e esta foi só uma forma de Carlos Costa «se desresponsabilizar» quando já estava «tudo mais ou menos orientado» para a medida de resolução.

Sobre a questão da idoneidade e da sua saída da liderança, Ricardo Salgado diz que ficou «surpreendido» com o «braço-de-ferro» que Carlos Costa contou no Parlamento, garantindo que o governador não lhe deu qualquer «sinal» de o querer afastar do banco mais cedo.

Quanto ao problema das contas do GES, que começou em 2008 e se refletiu no banco, nega ter dado «instruções» para a ocultação de passivos, até porque «nem tinha como missão estar a acompanhar as contas do grupo». Aponta o dedo apenas e só a uma pessoa: o ex-contabilista do Grupo Espírito Santo, Francisco Machado da Cruz, que entretanto se mostrou disponível para ir à comissão de inquérito. Citando a entrevista, em maio, sublinhou várias vezes que Machado da Cruz «assumiu totalmente a responsabilidade dos seus atos».

RICCIARDI CULPA O PRIMO SALGADO


O ainda presidente do BESI, o banco de investimento do BES, diz que viveu «dois anos de inferno total» e que foi «traído» pelo ex-presidente do banco e pelos restantes administradores.

Garante que foi «a única pessoa» que tentou «mudar o curso das coisas» e tentou afastar o primo Ricardo Salgado em dezembro de 2013. Também alega que quis chamar o contabilista Machado da Cruz às reuniões do conselho superior do GES e Salgado nunca acedeu ao pedido.

Apareceu como o grande aliado do Banco de Portugal até agora. «Sou testemunha que  fez tudo o que era possível. A liderança do grupo adiava, dissimulava e empurrava os problemas como uma bola de neve».

MORAIS PIRES CULPA RICCIARDI

O ex-administrador financeiro (CFO) do BES primeiro a ter como alvo o primo de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, a quem atribuiu responsabilidades pelo que se passou. Isto porque o presidente do BESI era o responsável pelo departamento de risco global. «Era uma pessoa importante e não só no papel». Para além disso, era o BESI que «definia e aprovava tudo» o que tinha a ver com o papel comercial.

Tido como braço direito de Ricardo Salgado, Morais Pires quis descolar esse rótulo e chegou a admitir que «já todos concluímos» que o ex-patrão do BES devia «ter saído mais cedo».

Mas, e ele, que era o responsável pelas contas? Diz que não sabia de nada. Culpas, então, não as assumiu. Apenas «coletivamente». «Eu pertencia um exército, que tinha um general, e esse exército perdeu».

CMVM CULPA BANCO DE PORTUGAL

Pelo menos indiretamente. Diz que o colapso do banco é do foro da supervisão bancária. Carlos Tavares admitiu que, no dia a seguir à apresentação de resultados, a 31 de julho de 2014, houve logo grandes investidores que se desfizeram «massivamente» das ações do BES e, com isso, ganharam dinheiro antes do descalabro. Outros, mais pequenos, compraram a baixo preço a pensar que era um bom negócio e, no fim de contas, perderam tudo. Mas o presidente da CMVM diz que o Banco de Portugal só o alertou para uma eventual «fuga de informação» no dia seguinte. Tarde demais.

Ou seja, alega que não atuou mais cedo, porque a CMVM não tinha razão para «supor falta de informação». A negociação de títulos, «embora anormalmente elevada», era natural que resultasse na desvalorização das ações. Isto porque os resultados evidenciavam elevados prejuízos. Não tinha noção que o problema era maior, de ocultação de contas. E essa parte, frisou, é supervisionada pelo Banco de Portugal .

Apesar de o governador do BdP ter recomendado a suspensão das ações no dia 1 de agosto, sexta-feira, às 15:12, estava munido apenas de uma suspeita. Não de uma certeza. «Não fazia sentido suspender as ações só porque estavam a descer», a uma hora do fecho de mercado.

Certo é que, nesses dois dias, muita gente perdeu dinheiro. Meteu-se o fim-de-semana e a resolução. Na segunda-feira de manhã, o BES já era tóxico e nunca mais voltou a transacionar em bolsa. 

 

Portugal antes e depois do BES. Opinião de Helena Garrido

Sexta-feira, Novembro 28th, 2014

20141128

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Jornal de Negócios

e Negócio

Nada será como dantes. Nem nós. Depois destes alucinantes quinze dias, já estamos diferentes. Assistimos com perplexidade e até assustados à explosão de investigações com impacto em figuras nacionais de referência. Claro que já se esperava novos processos envolvendo o BES, Ricardo Salgado e a ex-administração do banco. Muitos disseram que com o BES iria cair o regime. Mas mesmo assim é impossível não ficar surpreendido.

Durante anos falava-se, mas nada acontecia. Em quinze dias, sem se falar tudo aconteceu. O caso dos “vistos gold”, que envolve o chefe de uma polícia, nada tem que ver com o “caso Sócrates” ou ainda com o “caso BES”. Mas os três …

Este artigo é exclusivo para Assinantes Negócios Primeiro

 

Ionline: fisco cria unidade de gestão da relação com o Contribuinte

Sexta-feira, Outubro 31st, 2014

20141031

Por João D’ Espiney

Nova unidade irá “interpelar” os contribuintes a regularizarem a situação tributária em casos de incumprimento e tratar das reclamações

Citação

Ionline

O Fisco acaba de criar uma Unidade de Gestão da Relação com os Contribuintes (UGRC), de acordo com um despacho ontem publicado em Diário da República.

Esta nova unidade irá “interpelar” todos os contribuintes a regularizarem voluntariamente a sua situação tributária quando forem detectadas “situações de incumprimento” fiscal e “assegurar o tratamento das reclamações e pedidos dos contribuintes seguindo critérios uniformes, propondo medidas correctivas, nas situações em que tal for possível”.

A implementação “generalizada” de um sistema de pagamentos por meios electrónicos das obrigações tributárias, “através do débito directo em conta bancária, nas situações em que tal for possível” é outro dos objectivos desta estrutura, segundo o diploma assinado pelo director-geral da Autoridade Aduaneira e Tributária (AT), António Brigas Afonso.

O despacho atribui um conjunto vasto de competências à UGRC, a começar pela “implementação” de um “plano anual de apoio e promoção do cumprimento voluntário das obrigações fiscais e aduaneiras, incluindo projectos de sensibilização dos contribuintes”. Os projectos de “promoção activa” do cumprimento voluntário das obrigações fiscais serão elaborados com “entidades representativas de classes profissionais ou de grupos de contribuintes”.

Os responsáveis da UGRC irão “analisar o desempenho fiscal” dos contribuintes, através dos dados recebidos dos próprios e de terceiros, e de todas as bases de dados da AT, bem como “partilhar” as inconformidades detectadas com os contribuintes, “recomendando a sua regularização voluntária ou a respectiva justificação”. O despacho do director-geral determina ainda que esta unidade irá “desenvolver estudos de compreensão do comportamento fiscal dos contribuintes, incluindo aqueles que sejam considerados de risco e propor medidas de acção”. Um dos objectivos é perceber “as causas do incumprimento das obrigações fiscais” e delinear “medidas tendentes à sua diminuição”. Outro dos objectivos é “assegurar a coordenação” dos vários canais de atendimento e “garantir a qualidade e a eficiência do atendimento”.

De acordo com o comunicado emitido ontem pelo Ministério das Finanças, esta unidade “pretende estabelecer uma nova estratégia de comunicação, que permita um reforço da imagem e posicionamento junto dos contribuintes em particular e da sociedade em geral”. O comunicado refere ainda que esta unidade já foi constituída em 2012 “para acompanhar as empresas e os grupos económicos portugueses” e o que foi criado agora é o “Departamento de Serviço do Contribuinte”para “melhorar a colaboração entre a AT e os contribuintes individuais”. Uma nuance que o despacho assinado pelo director geral não faz qualquer referência.

(Fim de citação)

 

Documento 121 da ES Controlo para substituição de Ricardo Salgado da liderança da gestão financeira do GES/BES

Terça-feira, Outubro 29th, 2013

Santander Totta formaliza interesse na compra do Novo Banco

DOC121 (sobre dossier secreto da ES Control do GES/BES em 29-10-2013 para preparar a substituição de R. Salgado)