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Todos acusam Salgado, ninguém o defende

Sexta-feira, Dezembro 19th, 2014

20141219

Na Comissão Parlamentar de Inquérito, toda a gente fala de Ricardo Salgado. Responsabilizando-o. Isolando-o. Este é o sub-título do artigo publicado hoje pelo Expresso sobre a CPI do BES.

O centro disto tudo Ricardo Salgado é o nome de quem todos os outros nomes falam

O centro disto tudo Ricardo Salgado é o nome de quem todos os outros nomes falam

Citação

Expresso

“Não venho cá colocar-me na posição de vítima”, Ricardo Salgado.
É bem verdade que Álvaro Sobrinho não vinha para achincalhar e que José Manuel Espírito Santo não quis ser árbitro, preferindo que fossem os deputados a fazer o julgamento – político – do caso. Mas as primeiras semanas da Comissão Parlamentar de Inquérito convergiram todas para uma espécie de “culpado disto tudo”: Ricardo Salgado. 

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BES/Sobrinho: “Eu sou culpado. Se pudesse voltar atrás, faria diferente. Mas o que fiz foi em consciência”

Sexta-feira, Dezembro 19th, 2014

20141219

Sobrinho chega à CPI acompanhado por advogado Artur Marques, de Braga

Álvaro Sobrinho assumiu a responsabilidade pelos problemas no BES Angola, durante os 10 anos em que esteve à frente do banco, até 2012. “Eu sou culpado. Se pudesse voltar atrás, faria diferente. Mas o que fiz foi em consciência” de que era o melhor para a instituição, adiantou na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, de acordo com a recensão feita hoje pela publicação eletrónica Dinheiro Vivo.

Citação

Dinheiro Vivo

Juntamente com o advogado de Braga Artur  Marques e uma acompanhante (na imagem) ex-CEO do BESA dirige-se à sala da sessão da CPI onde está o administrador do BESA, João Moita – que teve toda a audição à sua direita apoiando com documentação e esclarecimentos a diligência do seu advogado de defesa Rogério Alves – Sobrinho rejeitou a posição de vítima referida pela deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua: “Eu não sou vítima de nada, sou responsável”, afirmou.

Numa audição que durou mais de seis horas, os deputados questionaram o destino dos 3000 milhões de euros de crédito que o BES concedeu ao BESA, e como foi possível ter 5,7 mil milhões de dólares de créditos sem garantias adequadas nem se saberem os respectivos destinatários e beneficiários.

Álvaro Sobrinho garantiu que os três mil milhões de euros “nunca saíram para financiar o BESA. O dinheiro ficou no BES Portugal”.

O antigo presidente do BESA adiantou que a maioria do montante foi utilizado para tomar firme parte de uma emissão de dívida pública angolana, de emissões que vencem em 2018 e ainda estão no balanço da subsidiária angolana. Outra parte “desta linha foi para ‘trade finance’, para o apoio às relações comerciais de empresas portuguesas com Angola. Muitos destes clientes eram importadores e exportadores”, explicou o responsável. “O exportador recebia o dinheiro, mas o importador, que devia pôr o dinheiro no banco, não pagava a carta de crédito. Uma percentagem elevada, isto aconteceu, o que deixava o crédito no banco. E deixava de ser uma responsabilidade extrapatrimonial”, ou seja, passava a estar no balanço do banco.

A deputada Cecília Meireles, do CDS-PP, questionou sobre a veracidade das notícias que apontam para que 80% da carteira de crédito do BESA, correspondentes aos tais 5,7 mil milhões de dólares, esteja em risco, Sobrinho negou-o. O ex-CEO do BESA não adiantou mais pormenores sobre estes créditos, por estar impedido devido a segredo de sigílio bancário angolano.

Ainda assim, Sobrinho garantiu que a os responsáveis do BES estavam a par dos grandes riscos, assim como o próprio Banco de Portugal. “Reportávamos o balancete do banco para a contabilidade, o risco para o departamento global do risco do Espírito Santo, os rácios de liquidez ao BES”, adiantou. “Todos os créditos eram reportados ao Banco Espírito Santo que os reportava ao Banco de Portugal”, acrescentou.

Sobrinho explicou ainda que “a decisão de crédito passava toda pela comissão de crédito” do BESA que era o departamento pelo qual todos os créditos passavam, do qual fazia parte a cunhada. No entanto, Sobrinho negou que fosse a cunhada Lígia Madaleno a responsável. A concessão de crédito passava por um comité e que se encontrava sob “várias áreas”, tendo presente toda a comissão executiva do banco, do qual foi presidente até 2012.

Sobrinho ironizou ainda sobre o facto de Ricardo Salgado ter sido surpreendido pelos problemas em Angola, porque, a partir de determinado momento diz ter deixado de saber o que se passava. “Das duas uma, se essa surpresa é tão grande ou somos todos incompetentes”, incluindo auditores e todos os restantes órgãos de controlo do banco. Ou então “descobriu-se em dois meses aquilo que não se descobriu em 12 anos. Ainda por cima em período de férias”, reforçou.

Sobrinho esclareceu que “não reportava ao dr Ricardo Salgado“, embora se relacionassem mensalmente, mas sim ao reporte ao presidente do conselho de administração, Ricardo Abecassis Espírito Santo, e que tinham em reuniões timestrais.