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Dúvidas sobre a PWC

Sexta-feira, Janeiro 9th, 2015

Citamos:

Correio do Estado

Para não ter os nomes de seus administradores ligados às operações de investimento da Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), a Portugal Telecom SGPS pediu à consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers) uma nova versão da auditoria, excluindo a identificação de quem teve ou não responsabilidade nos investimentos na holding.

O pedido se refere, principalmente, à aplicação de 897 milhões de euros que levou à mudança nos termos da fusão entre Oi e Portugal Telecom.

O pedido, que teria sido acatado pela auditoria, atrasou a entrega da versão definitiva do documento, diz reportagem do jornal português Público.

A holding do GES entrou em colapso financeiro, não pagou a dívida e desencadeou a forte queda das ações da Portugal Telecom SGPS na bolsa de Lisboa desde 2014.

O conselho de administração da Portugal Telecom -holding dona de 25,6% da Oi- manteve a convocação da assembleia geral de acionistas para a segunda-feira (12), quando vão decidir sobre a venda dos ativos da PT Portugal, subsidiária da Oi, ao grupo francês Altice.

Em meio aos receios de que a assembleia não acontecesse se os acionistas não tivessem acesso em tempo hábil ao relatório da PwC, as ações da PT despencaram 19,5% apenas na quarta-feira (7), na bolsa de Lisboa.

Apenas em 2015, a queda aproxima-se de 20%. Em 2014, a desvalorização superou 70%. Em documento enviado ao regulador de mercado CMVM (órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários em Portugal) na quarta (7), a Portugal Telecom informou que a PwC concluiu e entregou naquele dia a versão final do relatório elaborado no âmbito da análise independente dos procedimentos relacionados às relações com o GES.

Na terça-feira (6), o canal televisivo TVI informou que a auditoria da PwC, que pode ser divulgada ainda nesta quinta-feira (8), deve apontar que a Portugal Telecom teve que se endividar para fazer o investimento na Rioforte, para ajudar o GES a garantir liquidez meses antes da queda do grupo.

Calote

O ano de 2014 da Portugal Telecom foi marcado pelo polêmico investimento de 900 milhões de euros em notas comerciais da Rioforte, holding da família Espírito Santo, que pediu insolvência e descumpriu pagamentos.

O investimento de tesouraria obrigou à revisão do acordo de fusão entre Portugal Telecom e a operadora brasileira Oi, que culminou na redução da participação da portuguesa na CorpCo para 25,5% dos anteriores 38%.

Na sequência do calote da Rioforte, o presidente do Conselho de Administração e presidente-executivo da PT SGPS, Henrique Granadeiro, demitiu-se dos cargos.

Riscos de exposição do BES ao Grupo Espírito Santo foram denunciados em 2001

Sábado, Dezembro 13th, 2014

20141213

Relatório elaborado em 2001 pela auditora PwC alertava para a exposição do Banco Espírito Santo às empresas do Grupo e denunciou a existência de empréstimos a seis sociedades offshore, revela a edição do jornal eletrónico Observador.

Citação

Observador

“Há um risco enorme na concessão e extensão de créditos inapropriados” celebrados entre o Banco Espírito Santo (BES) e o Grupo Espírito Santo (GES). A denuncia foi agora conhecida, através de uma notícia avançada pela RTP, mas foi feita em 2001 pela PwC, num documento realizado a pedido da instituição financeira que entrou em colapso e foi objeto de resolução no início de agosto passado.

Há 13 anos, a PwC já alertava para problemas graves que afetavam o banco e aholding Espírito Santo Resources, que representava “o maior risco de exposição efectiva do grupo BES”. Na época, afirmava que a exposição do banco atingia “800 milhões de euros, a 31 de dezembro de 2000″. O documento, de maio de 2001, também adiantava a existência de empréstimos realizados a “seis empresas offshore”, no valor total de 785 milhões de euros, dinheiro que terá sido utilizado para facilitar a compra de ações do próprio BES, de unidades do GES e de outras empresas portuguesas.

O relatório continha um conjunto de recomendações, de acordo com a RTP, e propunha que, perante a dimensão da exposição a empresas do Grupo, a administração do BES deveria ter “em séria e urgente consideração a necessidade de criar um comité de auditoria formal”, que atuaria na fiscalização e controlo de empresas do GES, incluindo a Espírito Santo International e as empresas da área não fnanceira do Grupo. A opacidade também não escapou à PwC. “Há uma tendência dos altos quadros executivos para restringirem o fluxo de informação aos membros da administração ao essencial”. E a auditora lamenta, igualmente, as dificuldades que diz ter enfrentado na “disponibilidade de registos contabilísticos, ficheiros e documentos necessários às equipas de auditoria independente”.

A PwC foi substituída como auditora do BES em 2002, após a elaboração do documento em causa, mas a instituição financeira que foi liderada por Ricardo Salgado desde 1991 contratou dois dos quadros que o fizeram: João Martins Pereira e Nelson Pita. Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES querem chamar ambos para audição.

 

Direitores do BdP vão para a PwC

Sexta-feira, Outubro 31st, 2014

Citamos:

Económico

Luís Costa Ferreira e Pedro Machado vão trabalhar na firma escolhida pelo BdP para auditora do Novo Banco. E saem quando o Departamento de Supervisão Prudencial continua sob fogo por causa do BES.

O director e o director-adjunto do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal (BdP) cessaram ontem funções, passando para a PwC. As saídas de Luís Costa Ferreira a Pedro Machado ocorrem numa altura em que o supervisor está debaixo de fogo devido à forma como lidou com os problemas no BES, o que já levou à recente mudança de pelouros do vice-governador Pedro Duarte Neves. E, nos últimos dias, o Departamento de Supervisão Prudencial tem estado no centro de uma polémica em torno dos contactos que manteve com a Comissão Europeia nos dias anteriores à resolução do BES.

Em comunicado, o BdP refere que teve conhecimento dos pedidos de demissão do “director e o director-adjunto do Departamento de Supervisão Prudencial (DSP), Dr. Luís Costa Ferreira e Dr. Pedro Machado, fundamentados na intenção de desenvolverem novos projectos profissionais”. Os dois técnicos foram contratados pela PwC, a firma que no início de Agosto foi escolhida pelo Banco de Portugal para auditora do Novo Banco, a unidade “boa” do antigo BES. Os dois quadros do BdP iniciam funções na PwC em Janeiro, como sócios na área de consultoria da firma.

“A PwC acredita que as alterações no sector decorrentes da entrada do em vigor do Mecanismo Único de Supervisão, que prevê a supervisão prudencial directa pelo BCE das instituições de crédito significativas, criam grandes oportunidades na área da regulação dos serviços financeiros”, explicou a firma em comunicado. Acrescentou: “Adquirir competências e ‘skills’ únicos irá permitir liderar este sector.”

Porém, Luís Costa Ferreira e Pedro Machado deixam o Banco de Portugal numa altura em que os partidos da oposição exigem esclarecimentos sobre os contactos que o seu departamento teve com a Comissão Europeia a respeito da possível intervenção no BES, a 30 de Julho. Além disso, as datas das comunicações com Bruxelas a estão a ser analisadas pelo Ministério Público e a CMVM, no âmbito da investigação em curso às suspeitas de fugas de informação na semana que precedeu a resolução do BES, durante a qual as acções caíram cerca de 70%.
Tal como o Diário Económico noticiou na terça-feira, a DG-COMP foi avisada horas antes de o BESapresentar os seus resultados do primeiro semestre, por dois quadros do Departamento de Supervisão Prudencial. Esta informação coincide com a versão que terá sido transmitida pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, num encontro recente com deputados do PSD. Questionado, o Ministério não comentou.

A 8 de Outubro, o Económico noticiou que a DG-COMP abriu o processo de resolução do BES a 30 de Julho, quando o Governo e o Banco de Portugal tinham referido que a decisão só foi tomada a 1 de Agosto. No Parlamento, o governador do Banco de Portugal “desmentiu formalmente” que tivesse havido alguma decisão antes dessa data e garantiu que “não se corresponde com a DG-COMP”.

Porém, na passada terça-feira, o Banco de Portugal admitiu, em declarações ao Diário Económico, que Bruxelas fora avisada dos prejuízos do BES horas antes da sua divulgação. Já a CMVM não foi avisada da possibilidade de uma intervenção do Estado. O supervisor da bolsa poderia ter suspendido as acções, que entre 29 de Julho e 1 de Agosto afundaram mais de 70%. A resolução foi anunciada pelo BdP a 3 de Agosto.